Vidas Passadas ensina que a realidade é melhor que a ilusão

Cantado muitas vezes pela música, presente em diversas obras culturais. O primeiro amor de infância que ficou só no imaginário das pessoas pode mexer (e muito) com qualquer pessoa. É isso que o sensível filme de Celine Song, Vidas Passadas, nos mostra.

Um dos concorrentes na categoria de Melhor Filme do Oscar 2024, Vidas Passadas faz uma bela crônica sobre amor, mas sem ser previsível. É um retrato sobre vida, realizações e, principalmente, sobre realidade. Ao contrário de muitas comédias românticas que o cinema apresenta, o longa subverte a lógica e mostra que o cotidiano é muito diferente de um roteiro de cinema.

Na primeira cena, somos espectadores. Apenas estamos observando três pessoas num bar pelos outros de curiosos. Quem são essas pessoas? Logo, a cena muda para duas crianças voltando da escola na Coreia. Em pouco tempo, entendemos que aquela amizade tem prazo de validade. Nora (Greta Lee, na versão adulta) imigra com seus pais para o Canadá. Enquanto Hae Sung (Teo Yoo, na versão adulta) fica na Coreia e na casa dos pais.

Quando os dois se encontram pelas redes sociais, suas fases de vida são completamente diferentes. Eles estudam, seus horários não batem e, apesar de todo esforço, Nora entende que o melhor que pode fazer é decidir por ela. Pela sua carreira. Por seus sonhos.

Anos e anos se passam e a vida se cruza novamente. Agora, Nora já está casada com Arthur (John Magaro). Contudo, Hae Sung vem à Nova York ver seu amor do passado.

E aí que o filme da diretora coreana é tão surpreendente. Muito mais do que uma comédia romântica, essa é uma representação da realidade. Sobre uma mulher que se escolhe inúmeras vezes. Alguém que decide olhar para si, para sua realidade e não viver uma ilusão. Entender que a vida real é muito mais interessante do que o conto de fadas porque é isso: real.

Vidas Passadas, de Celine Song, é uma bela crônica sobre a vida

Existem cenas no longa que a reação das personagens é tão inesperada que quebra qualquer expectativa. Os diálogos são densos que nos faz ficar com vontade de rever o filme para entender todas as nuances postas ali.

Em Vidas Passadas, entendemos, de forma delicada, que o amor se transforma, o carinho fica, a saudade pode perpassar o tempo. Mas só nós sabemos o que sentimos. Só nos entendemos a nossa realidade e sabemos no que podemos apostar. Já diria a banda gaúcha Bidê ou Balde “é sempre amor mesmo que mude”. Celine Song reforça essa estrofe. Pode ser sempre amor, mas as pessoas vivem a vida delas. Vivem suas realidades. E nenhuma relação pode nascer de uma simples ilusão ou de uma saudade eterna do passado.

Veredito da Vigilia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *