Inmérsion: o suspense chileno que te prende

Simples e complexo ao mesmo tempo, Inmérsion foi exibido na quinta-feira, dia 18 de agosto, no último dia da Mostra Competitiva do Festival de Cinema de Gramado. E já posso adiantar que surpreendeu muito.

Do diretor Nicolas Postiglione, o filme é uma produção entre Chile e México. Na história, Ricardo (Alfredo Castro) está com suas duas filhas em um barco, rumo à casa do lago da família. Porém, no meio do caminho, eles veem jovens pescadores locais pedindo ajuda porque seu navio está afundado. E mais do que isso não posso adiantar, porque não quero que a sua experiência seja prejudicada.

Criando um thriller psicológico, que nos deixa vidrado na frente da tela de cinema durante todo o tempo, o filme tem muitas camadas que debatem nossos próprios preconceitos. Em muitas situações, questionamos o que faríamos se nos deparássemos com os mesmos desafios à nossa frente.

Alfredo Castro vai muito bem em Inmérsion
Alfredo Castro vai muito bem em Inmérsion

As atuações são boas, mas Alfredo Castro, o grande ator do cinema chileno protagoniza o filme. Ricardo, se fosse brasileiro, seria do time “bandido bom é bandido morto”, seria amigo do médico de A Jaula, inclusive. Ele vai mostrando todas as suas facetas de acordo com às duas decisões e coloca todo seu preconceito para fora. Inclusive, vemos seu apego com bens materiais e com o dinheiro, mais até que com a família. Mas é ele que nos mostra que também somos preconceituosos. Em diversas cenas que tentamos adivinhar o que vai acontecer, temos palpites totalmente equivocados. Pai de Claudia (Mariela Mignot) e Teresa (Consuelo Carreño), ele mostra a total falta de tato com as suas filhas e o entrosamento péssimo que tem principalmente com Teresa, uma menina impetuosa que o provoca para sair do lugar confortável.

Além dos cinco personagens principais, temos mais três que são decisivos na construção do longa: o barco, a casa e o lago. Esses três elementos são vivos, participam do todo e fazem o filme ganhar uma unidade interessante. A fotografia de Sergio Armstrong é belíssima e nos faz mergulhar naquele mundo, naquele lago, naquele frio que Inmérsion provoca (afinal, o próprio nome já nos diz isso). Outro recurso interessante é o entardecer quase sem fim, gerando uma agonia necessária ao longa. Tudo isso é muito bem combinado com uma trilha sonora de suspense que nos deixa sem entender com exatidão o que vai acontecer.

Inmérsion é uma bela construção de um filme sobre aporofobia, paternidade, ausência e principalmente, preconceitos enraizados com um final surpreendente. Muito provavelmente estamos diante do Melhor Filme Estrangeiro deste 50º Festival de Cinema de Gramado – com certeza, seria meu voto.

Veredito da Vigilia

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