Tinnitus, de Gregório Graziosi, é tortuoso e gera emoções contraditórias

Desde o início da divulgação, Tinnitus, de Gregório Graziosi promete uma interessante jornada. Mas, ao assistir ao filme na quinta-feira, dia 18 de agosto, no último dia da Mostra Competitiva de Longas Brasileiros no 50º Festival de Cinema de Gramado, nos deparamos com um filme que pode se mostrar prepotente. Pelo menos, foi a minha sensação ao final do longa.

Em Tinnitus, acompanhamos a jornada de Marina (Joana De Verona), uma atleta de saltos ornamentais que, após uma crise de Tinnitus – popularmente chamado de “zumbido no ouvido” – e de um acidente que, durante todo filme, não entendemos direito como aconteceu, abandonou a carreira e foi virar sereia em um aquário estilo museu. Marina é uma personagem fraca, em sua construção, e vive em uma situação completamente misógina. É uma mulher que vive de acordo com as decisões de seu marido, o médico que acompanha seu Tinnitus e faz um tratamento experimental com ela.

Se a ideia de Gregório Graziosi era, de alguma forma, trazer a condição para discussão, podemos dizer que seu trabalho não foi executado com sucesso. Vemos um filme totalmente capacitista, como se a pessoa com Tinnitus não pudesse viver sua vida normalmente. Marina enfrenta até mesmo dificuldades para engravidar. E, antes que venham dizer que seria pelo tratamento experimental – o remédio que ela utiliza é um ansiolítico, que inclusive eu tomo também e não tem relação nenhuma com a fertilidade.

Com diálogos fracos, mal construídos e uma total falta de emoção entre as cenas, o filme vai se arrastando e parece nunca vai chegar ao seu final. Seus 105 minutos se tornam uma grande tortura e aparentam ser muito mais. A escolha de utilizar o zumbido característico, ao invés de abraçar o filme e criar uma atmosfera interessante, gerou nos espectadores dores de cabeça e ânsia de vômito.

Mas para não dizer que só critiquei, preciso elogiar a fotografia interessante e a presença de Antonio Pitanga como coadjuvante premium, mas mal utilizado. Porém, ficamos por aí em acertos.

Nas imagens de divulgação, Tinnitus parecia oferecer outra experiência
Nas imagens de divulgação, Tinnitus parecia oferecer outra experiência

Além do desserviço sobre o Tinnitus, o filme oferece muita rivalidade feminina. Luísa (Indira Nacismento, de Medida Provisória) e Teresa (Alli Willow, de Bacurau) estão o tempo todo obcecadas, seja por Marina, seja pelo esporte, seja pelo seu papel na dupla. A briga delas é sem fim e não leva a lugar algum. Ou leva. Uma cena final agoniante que eu não gostaria de ter visto. Principalmente no cinema.

Tinnitus apresentou algo na sua divulgação e outra em seu filme. Isso gerou uma grande quebra de expectativas e uma emoção ruim enquanto assistia ao filme. A abordagem da Tinnitus me incomodou profundamente e parece que faltou um entendimento melhor – ou uma explicação mais clara para o espectador – de como funciona essa doença. Não foi dessa vez.

Veredito da Vigilia

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