Trem Bala, com Brad Pitt

Trem-Bala é a mescla de Deadpool, Tarantino, Guy Ritchie e Agatha Christie

Prepare-se para embarcar em uma história bem caótica. Trem-Bala, novo filme de David Leitch, que traz o astro Brad Pitt (Era uma vez em Hollywood) para o centro das ações, é uma mescla de vários estilos. E sim, me atrevo a dizer, tal qual no título desta crítica, que Leitch, o responsável pelos excelentes filmes Atômica, Deadpool 2 e John Wick, criou uma mescla de seus antecessores com pitadas de Quentin Tarantino, Guy Ritchie e Agatha Christie. Vem comigo que eu explico melhor.

Em Trem-Bala, Brad Pitt é Joaninha (Ladybug), um codinome para uma espécie de mercenário, ou assassino de aluguel, que está em Tóquio, passando por um processo de autoconhecimento, terapias e busca espiritual. Enfim, o cara quer trabalhar de forma mais “tranquila” possível, mesmo que neste processo absurdo de missões que envolvem tiro, porrada e bomba. E, como já sabemos, ele vai entrar em um trem, na melhor vibe “Assassinato no Expresso Oriente”, onde coisas bem bizarras começarão a acontecer. O destino vai lhe pregar várias peças, todas envolvendo outros assassinos ou pessoas extremamente vingativas. Gostamos! 

Brad Pitt em Trem-Bala
Joaninha (Brad Pitt) só precisava pegar uma maleta e sair do trem, mas…

Os primeiros minutos do filme são de torcer o nariz e se aclimatar ao caos que impera durante todo o longa. Um caos meio Deadpool, com muitas piadas, conversas fiadas e flashbacks estilo Guy Ritchie para apresentar o background de cada um dos novos personagens. Entre eles temos a dupla Limão e Tangerina (Brian Tyree Henry e Aaron Taylor-Johnson), Principe (Joey King), o “Filho” (Logan Lerman), o Lobo (Bad Bunny) e várias outras aparições especiais, que não cabe citar aqui. Depois dos momentos de estranheza, o filme flui melhor e vai nos ganhando um pouco mais. A dica é ligar a suspensão da descrença logo cedo para nivelar as expectativas. O filme em nenhum momento se leva a sério, e isso é um ponto positivo.

Joey King em Trem-Bala
Príncipe é Joey King como você nunca viu!

Perdido no trem-bala, de onde só tinha que entrar e sair com uma maleta, sem ferir ninguém, Joaninha em pouco tempo já estará enfrentando o grupo heterogêneo já citado, sempre tentando contornar a situação com conversa e suas dicas de terapia. É claro que nunca funciona. Para além disso, Leitch parece ter tomado para si uma ideia da Marvel que já vimos em Deadpool 2, com a personagem Dominó (interpretada por Zazie Beetz). Aliás, Zazie também dá as caras por aqui. Basicamente Joaninha está sempre dizendo que é muito azarado, enquanto as cenas se encarregam de mostrar que “não é bem assim”. Mas isso permeia a trama toda, até o grande final, onde entendemos que basicamente Joaninha é Dominó. Parênteses importante: o poder mutante dela é ter sorte. Para quem lê os quadrinhos e assistiu Deadpool 2, é auto-explicativo. Mas, pra quem perdeu essas referências, ela nunca se dá mal, e é o que temos aqui com o personagem de Brad Pitt. David Leitch na verdade criou o filme da Dominó substituindo a mutante por um dos maiores astros do cinema atual e sem a responsabilidade de um MCU. E ponto.

Zazie Beetz em Trem-Bala
Momomon é um dos personagens surpresas do filme!

Fora as grandes cenas e embates, Trem-Bala se ampara muito bem no aspecto “Agatha Christie” e a grande questão: quem é o assassino?, ou ainda quem está por trás de tudo que está afetando os personagens dentro do trem? O plot é o suficiente para nos enganar algumas vezes, até as apresentações finais, que, como já citei, trazem atores bem conhecidos e aparições especiais que fazem o filme crescer um pouco mais e arrancam aquele sorriso de quem está na sala escura.

No final das contas, quem ganha mais nessa viagem caótica e selvagem, é aquele que compra a ideia. 

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