Sobrenatural: A Porta Vermelha

Sobrenatural: A Porta Vermelha é figurinha repetida do álbum

Os fãs do terror não ficarão órfãos nos cinemas em julho. Mas isso, não necessariamente é uma boa notícia. Isso porque estreia Sobrenatural: A Porta Vermelha (Insidious: The Red Door), novo longa da saga “Sobrenatural”, que chegou em 2010 com o toque dele, James Wan. E como sempre, dando e entregando um produto com longevidade nas telonas. Goste ou não, ter James Wan como um criativo em seu estúdio certamente vai lhe trazer lucro e resultados sem a necessidade de investimentos absurdos. O problema é que agora, em Sobrenatural: A Porta Vermelha, o comando caiu nas mãos de um dos astros da história, Patrick Wilson. O ator que costuma fazer a dobradinha com Wan (como em Aquaman e na franquia Invocação do Mal) é quem dirige a novidade. Ele mostra que, realmente, essa é sua estreia na função.

Mas calma lá, não me julgue mal. O filme não é um fiasco, nem tão pouco algo desesperador. É apenas um terror “ok” com uma direção que se ampara em jump scares para entregar seus melhores sustos. Talvez funcione melhor para quem já tenha gostado dos demais filmes com o selo “Sobrenatural”. E claro, não é o meu caso.

Sobrenatural: A Porta Vermelha é um clássico filme de terror blockbuster. Não muda as peças nem altera o cenário, apenas se preocupa em ser minimamente coerente com tudo que já apresentou. E talvez, esse seja o problema. Não saímos do lugar comum por aqui. Na trama, Patrick Wilson volta ao seu papel de Josh Lambert (desde 2010), assim como Ty Simpkins (Jurassic World, Homem de Ferro 3), como Dalton Lambert, que agora já destoa bastante com seus quase 22 anos. Ou seja, conhecemos ele com 7 e 9 anos e as mudanças, como sabemos, são impactantes.

Patrick Wilson dirige ele mesmo em Sobrenatural: A Porta Vermelha
Patrick Wilson dirige ele mesmo em Sobrenatural: A Porta Vermelha

Pai e filho enfrentam a perda da mãe/avó, enquanto lidam (ainda) com a separação do casal. Rose Byrne (X-Men: Primeira Classe, Pedro Coelho) volta como Renai Lambert, e a chegada de Dalton na faculdade vai trazer à tona alguns traumas de infância. Se você está letrado na franquia, tá tudo no lugar. Se não estiver, o filme é competente em trazer um prólogo onde vemos o que causou o “esquecimento” de pontos sobrenaturais da vida da família Lambert. 

E é com a volta dessas memórias que a história se desenrola. Por óbvio, a escolha por uma hipnose não tem uma consequência das mais acertadas na vida de pai e filho. Ambos guardam máguas um do outro, e os acontecimentos ‘fora do normal’ voltam a assombrá-los. Basicamente, entramos em uma história de fantasmas e mundos ocultos que afetam o mundo real. Nada que já não se tenha trabalhado em toda a história do cinema do terror. Mas Sobrenatural: A Porta Vermelha é também sobre isso. Uma proposta clássica com uma ideia mercadológica. Às vezes funciona, às vezes não. Acaba por ser figurinha repetida.

Patrick Wilson agora assume a direção de Sobrenatural: A Porta Vermelha
Patrick Wilson agora assume a direção de Sobrenatural: A Porta Vermelha

Os sustos que se sustentam na técnica dos jump scares estão lá. Há momentos em que são certeiros, mas, depois do efeito sonoro, tudo volta ao normal. Patrick Wilson consegue criar um fiapo de tensão em determinados momentos e a utilização dos talentos de artista plástico de Dalton são bons recursos explorados. Mas, ficamos por aí.

As referências ao que James Wan já fez no terror também estão por lá, assim como a figura que empresta seu rosto à franquia Sobrenatural, a ótima Lin Shaye como Else Reiner. Enfim, tudo que se pode esperar de um filme de terror com essa lógica. Mas, infelizmente, nada muito inventivo ou que possa empolgar. Se é que em algum momento, Sobrenatural já chegou a empolgar alguém. Imagino eu que somente os tesoureiros do estúdio.

Veredito da Vigilia

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