Shazam Fúria dos Deuses crítica

Shazam: Fúria dos Deuses e a cartilha das continuações

Chegamos na vez de Shazam: Fúria dos Deuses (Shazam: Fury of the Gods). A continuação do longa de 2019 que introduziu o adolescente que carrega a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, os poderes de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Não por acaso, os termos que formam o nome Shazam. E como toda e qualquer continuação, seguindo as normas e a cartilha pré-estabelecidas pelo cinema e sua história, temos um filme que busca ser maior em todos os sentidos. Invariavelmente, isso não funciona tão bem como na estreia, com raras exceções (Homem-Aranha 2, Capitão América 2, para citar alguns), mas Shazam: Fúria dos Deuses não se perde na proposta. E tão pouco olha com muita obrigação para o tal universo compartilhado, a palavra de ouro dos últimos tempos no gênero dos heróis do cinema (embora, é claro, as deixas existam). Assim como no primeiro filme, o diretor David F. Sandberg desde o início deixa muito claro que a ideia é ser divertido. E ponto.

Para aqueles que gostaram do primeiro filme, Fúria dos Deuses vai funcionar muito bem. Mas agora não temos toda a “verve” da estreia. Seguindo a cartilha, a preocupação maior é em entregar mais cenas grandiosas, mais lutas, mais vilões e uma história mais longa (esse último quesito é bem desnecessário). Esse checklist nos propõe três vilãs – as deusas que buscam retomar o poder que foi depositado em Shazam – que são interpretadas por Rachel Zegler (Anthea), Lucy Liu (Kalypso) e Helen Mirren (Hespera). Sem a responsabilidade de ser absurdamente fiel aos quadrinhos (os fãs do herói não lotam uma Kombi), a ideia se afirma com mais desenvoltura e sem amarras. Apesar de não dar o lastro de grande aprendizado ou desenvolvimento e crescimento de personagens, o filme funciona como uma sessão da tarde completa.

Shazam Fúria dos Deuses tem Rachel Zegler e Jack Dylan Grazer
Uma relação que melhora o filme

Logo no início do filme vemos uma cena de ação interessante, apresentando as vilãs, todas muito bem em suas funções (as atrizes contribuem muito para isso). Repetindo a dose de mesclar comédia com jumpscares e cenas que você pensa “opa, isso até que foi violento demais”, Sandberg segue uma direção bem despreocupada. As piadas iniciais não funcionam, soam forçadas, mas vão melhorando com o desenrolar da trama. E as vilãs são o ponto suficiente para ele mergulhar numa mitologia que mistura deuses, heróis e magia no mesmo saco, tal qual vemos nos quadrinhos. Ou seja, tudo por aqui é possível. 

Nessa leva de “tudo é possível”, as situações ficam mais fáceis para se absorver. Mas, claro, há problemas. Um deles, como sempre comento por aqui, é a duração dos filmes. Me parece uma obrigação mercadológica esticar os longas atualmente para dar a impressão de que é imprescindível assistir ao filme no cinema. Todos agora querem grandiosidade de épicos do cinema, e não chegam nem perto disso. Outra é a falta de urgência para quase tudo que acontece. Apesar de alguns sequestros, o elenco com toda a família Shazam está de volta, e isso permite ao roteiro brincar bastante, as idas e vindas são um tanto aleatórias e de uma cena para a outra podemos estar em lugares um tanto quanto diferentes. Isso fica ainda mais problemático em algumas lutas. Mas vamos lá, depois de tanta porrada estilo Pernalonga, onde nada de grave acontece, a gente também vai relevando bastante coisa.

Helen Mirren e Lucy Liu são as vilãos de Shazam 2
Helen Mirren é Hespera e Lucy Liu é Kalypso (não confundir com a antiga banda da Joelma)

Um dos grandes acertos de Shazam: Fúria dos Deuses é novamente dar bastante espaço para Jack Dylan Grazer como Freddy Freeman. Ele equilibra bem a relação com Billy Batson (Asher Angel, que cresceu bastante de um filme para outro) e o próprio astro Zachary Levi, que, se estivesse sozinho, não seguraria o peso do filme. Junto dele, a relação com Anthea (Rachel Zegler) funciona como subtrama, e é ainda melhor que a ideia de repetir o trauma da paternidade/maternidade com Billy Batson, que aqui é tão mal construída que nem vale a pena comentar.

Spoilers, Malditos Spoilers

Gal Gadot no spoiler oficial de Shazam Fúria dos Deuses
Gal Gadot de volta no spoiler oficial de Shazam: Fúria dos Deuses

Outro problema de Shazam, que provavelmente tem uma explicação mercadológica, é que a própria divulgação oficial do filme já entregou a participação da Mulher-Maravilha de Gal Gadot no longa. Inicialmente ela é feita como uma grande piada, tal qual a participação do Superman na cena pós-créditos do primeiro filme, mas depois, a confirmação vem. Ou seja, não temos aquela grande surpresa durante o filme.

Mas nem tudo está perdido. Shazam: Fúria dos Deuses tem duas cenas pós-créditos. A primeira delas – não vou entregar aqui, mas vou contar no vídeo lá no canal – pode confundir ainda mais o fã da DC que acompanha avidamente as notícias dos rumos que os longas estão tomando com a liderança de James Gunn e Peter Safran. Confesso que fiquei um pouco surpreso com os rostos que apareceram.

Já a segunda, é basicamente uma repetição de uma que vimos em Shazam (2019) e que envolve o grande antagonista do personagem nos quadrinhos. Ou seja: sim, há lastro para um futuro do Shazam no novo roteiro traçado pela dupla Gunn e Safran. Se vai ou não acontecer, só saberemos com a resposta positiva nas bilheterias. Nos resta aguardar as cenas dos próximos capítulos dentro da nova DC Studios.

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