CríticaFilmes

“Santiago, Itália” e a realidade da ditadura | Crítica

Não importa quanto nos preparemos, a realidade da ditadura documentada sempre vai nos assustar. É assim que o diretor Nanni Moretti chega com o longa documental “Santiago, Itália”, contando por meio de relatos históricos e entrevistas um pouco sobre o golpe militar e a ditadura chilena. “Santiago, Itália” estreia no dia 20 de junho no Brasil e foi o vencedor do prêmio Davi de Donatello na categoria Melhor Documentário.

O longa é bem estilo documentário – para deixar todo mundo avisado antes de chegar no cinema -, unindo filmagens de arquivo, entrevistas e cortes que deixam claro que Nanni quer mostrar uma realidade que afetou diretamente a população. O diretor começa mostrando um Chile livre e próspero, antes do golpe, ainda governado por Allende e contando com o apoio popular.

“Eu não sou imparcial”

Também é muito interessante que Moretti é quase ácido sobre o fato de que até hoje não se sabe se quando Augusto Pinochet tomou o Palácio de La Moneda, sede do governo, o até então presidente Allende cometeu suicídio ou foi assassinado. A partir desse momento, o país é basicamente dividido em duas frentes: oprimidos e opressores. A ditadura que tenta controlar a população de forma violenta e a população que tenta, de todas as maneiras, ser livre e buscar asilo em outros países.

O nome “Santiago, Itália” vem da relação histórica e importante que a Itália teve sobre a ditadura chilena. Há um momento no longa que ex-embaixadores explicam que existiu um período de tempo em que havia tantas famílias refugiadas dentro da embaixada italiana no Chile, que era um risco para todos. Assim, as famílias começaram a ser transportadas para a Itália.

Todas as gravações de arquivo são incríveis. Sério.

Nanni Moretti busca falar com pessoas de todos os lados dessa história terrível, tentando humanizar e trazer essas memórias para o mais perto possível da realidade. A parte ruim é que existe um limite de tempo, e, em determinado momento, tudo começa a ficar bem corrido. São histórias interessantes e que vão, inevitavelmente, culminar com o final da ditadura. Mesmo percebendo alguns trechos são de entrevistas, sempre é interessante poder ver mais. Talvez uma versão estendida – que não passasse nos cinemas – pudesse ser uma boa saída. Ou uma série documental.

Vale muito a pena assistir “Santiago, Itália”, mas fique preparado. Pode ser difícil em alguns momentos, ainda mais se você for sensível a questões de tortura e violência política e policial.

A Vigília Recomenda!

Veredito da Vigilia


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *