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Paper Mario: Origami King – Uma aventura quase perfeita, com batalhas ordinárias

Chegou a hora de falar de Paper Mario: Origami King!

A série Paper Mario é o tipo de spin-off que ninguém sabe muito bem o que fazer com ele. Surgiu na era do N64 como um sucessor espiritual do inesperado sucesso de Super Mario RPG, produzido para o SNES pela Squaresoft que, após desentendimentos com a Nintendo, optou por parar de trabalhar com a empresa e seguir seu próprio rumo no Playstation One. Para se afastar do formato adotado pela Square, a Nintendo colocou o estúdio Intelligent Systems, responsável por jogos menores como Wario’s Woods e Mario Paint para assumir o novo projeto. A estreia agradou e acabou resultando em um modesto sucesso dentro de um nicho dos fãs da Nintendo. Focado em narrativas bem-humoradas, a franquia tem a díficil tarefa de tentar agradar a fanbase que a mantém ao mesmo tempo que busca novos jogadores.

The Origami King, lançado no dia 17 de julho, é a estreia da série no Nintendo Switch, o console mais popular da Nintendo desde o Wii, e oferece uma porta de entrada graficamente atraente, com uma história leve, bem-humorada e, surpreendentemente, emocional. Ótimos puzzles, lutas épicas com os chefões e ambientação rica em variedades. E, infelizmente, um dos sistemas de batalhas mais irritantes que se pode imaginar.

A trama começa como todo santo jogo do Mario, com um adendo: a Princesa Peach é raptada, mas não pelo Bowser e, sim, pelo Rei Origami, Olly. Ela e boa parte do reino são transformados em origamis, e cabe a Mario e a irmã do Rei, Olivia, deterem o maníaco. Para isso, eles precisam destruir os laços espalhados por cinco reinos e reunir os poderes elementais para fazer frente ao temível inimigo.

Um dos jogos mais bonitos do Switch
São mais de 400 Toads para serem resgatados

Se você procura jogos que mostrem o potencial do hardware da Nintendo, procure os títulos da Big N. Paper Mario não é exceção. Mesmo se utilizando de uma direção de arte “teoricamente” mais simplista, a riqueza de detalhes dos cenários é de embasbacar. Com tantas cores e efeitos de iluminação, bota no chinelo até games mais hiperrealistas. 

Cenários como a Montanha do Outono e os Estúdios Shogun são exemplos de criar ambientações fantásticas e sequências para atordoar o jogador. E você fica ainda mais surpreso quando um efeito hiperrealista aparece, como por exemplo, as águas dos rios. A variedade dos cenários também garante que você não vai ficar enjoado ou vendo a mesma paisagem por muito tempo.

Prepare-se para chorar
Paper Mario: Visuais incríveis e várias referências à franquia

Ainda mais impressionante que os incríveis visuais é a história rica em diálogos rápidos e hilários, personagens marcantes e referências à franquia. Pra começar, são mais de 400 Toads para serem resgatados, boa parte deles com diálogos diferentes. Fora os personagens principais, cada um com a própria personalidade, os coadjuvantes acabam roubando a cena. Além das situações absurdas que carregam a história adiante da melhor forma possível e as grandes set pieces que encaminham ao confronto com os chefões de fase (a parte do cinema no Shogun Studios é uma das sequências mais fenomenais que joguei neste ano), são os pequenos momentos de reflexão sobre o valor de estar vivo que os personagens tem, que pegam mais fundo. Mesmo com pouco tempo de convivência com eles, é impossível não criar um elo emocional e se surpreender com alguns plot twists muito bem desenvolvidos. Sentimental sem ser piegas e sem precisar de girafas para forçar a barra.

Puzzles e colecionáveis garantem o replay
Gosta de explorar? Paper Mario: Origami King é a dica!

A exploração é outro ponto forte de Paper Mario: Origami King. A maior parte do tempo vai te colocar na busca por mais um colecionável, batendo em mais uma parede para tentar achar algum segredo ou um Toad perdido. Mas nada de forma cansativa, tudo natural dentro da narrativa e do gameplay. Encontrar uma pedra solta ou uma rachadura na parede sempre vai trazer uma gratificação instantânea para o bom explorador. E a quantidade de colecionáveis, apesar de absurda, pode ser facilmente acompanhada pela lista de fases disponíveis no menu do jogo, uma mão na roda para quem pretende fazer 100%. Nem tudo poderá ser feito de primeira, então, voltar aos lugares após o final da fase mostra-se uma necessidade.

Sistema de batalhas ordinário incomoda, mas chefões salvam

Chegamos ao calcanhar de Aquiles do jogo, ou melhor, a perna inteira de Aquiles. Se tem algo que broxa é o sistema de combate que ou é simplista demais, ou complexo demais, não há meio termo. Ele funciona por turnos, como todo bom RPG, e o jogador precisa organizar as fileiras de inimigos da forma correta para criar ataques em cadeia, maximizando o dano e garantindo a vitória em um turno, ou sofrer as consequências. 

Calma lá! Nem tudo é perfeito em Paper Mario: Origami King

Apesar da ideia ser interessante, na prática é bem frustrante, principalmente quando o jogador não consegue eliminar o bloco inteiro de inimigos e precisa reiniciar todo o processo. Some a isso o limite de tempo para resolver os puzzles, que mesmo oferecendo a oportunidade do jogador comprar mais tempo com as moedas coletadas ou pedir ajuda para o auditório de Toads (é tipo o Programa do Sílvio Santos, você joga dinheiro no palco e a galera se mata para subir e pegar), não é nem recompensador nem divertido. Nos chefões o sistema muda e você precisa montar um caminho e usar uma variedade de ataques e summons para infligir o máximo de dano no boss, dadas as suas características. Nesses casos, funciona um pouco melhor, mas ainda assim, a randomicidade dos painéis de setas e ataques pode ocasionar situações irritantes. E um erro, pode ser o suficiente para garantir o game over.

Uma experiência imersiva quase perfeita!

Mesmo assim, a ideia de enfrentar objetos de escritório poderia ser tão boba, mas nas mãos da equipe traz personalidade para esses chefões, que se tornam ameaçadores sem perder o fator diversão. A utilização de elementais nas batalhas é mais uma variante, mas são tantos detalhes e tantas tentativas de fazer algo que desse certo, que o sistema de batalha se torna uma aberração de seis cabeças, sem saber para onde ir.

Paper Mario: The Origami King foi minha primeira experiência na franquia. Saí surpreso com o quanto gostei dela, mais positivos do que negativos. Consigo entender que o estúdio está buscando um novo rumo, principalmente para o sistema de batalhas, e isso será bem-vindo. De resto, uma experiência imersiva quase perfeita.

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