Mentes sombrias: liberdade e super poderes | Crítica
O nome pode assustar um pouco, mas não se deixe enganar: Mentes sombrias está longe de ser um terror. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, conhecida por seu trabalho em Kung Fu Panda 2 (2011) e 3 (2018), o longa é um come of age (chegada na maioridade, alcançar um novo nível) que mistura um mundo distópico e poderes no estilo X-Men. Mentes Sombrias também conta com o mesmo time de produtores responsáveis pela série Stranger Things e o indicado ao Oscar A Chegada (Denis Villeneuve, 2017). É também a adaptação da trilogia escrita por Alexandra Bracken.
Mentes Sombrias começa contando sobre como o mundo deixou de ter crianças. Uma doença inexplicável começa a atacar crianças de todas as idades. Sem precedente algum, elas simplesmente caem mortas. Porém, os poucos que conseguem sobreviver ao ataque, acabam sendo modificados e, misteriosamente, ganham poderes especiais, como telecinese, super inteligência e controle de energia elétrica.
Ruby (Amandla Stenberg) é uma das crianças que conseguiu sobreviver e é levada a uma espécie de campo de concentração para essas crianças, enquanto o governo não encontra uma cura. Normalmente, não sou a pessoa a comparar a adaptação com a obra original, porém o início de Mentes Sombrias é bem importante e, infelizmente, no filme, tudo passa muito rápido, deixando quem assiste um pouco confuso com a maneira que as coisas estão acontecendo. “Ah, então todo mundo vai entregar as crianças numa boa? Alguém está cuidando desses campos? Essas crianças são perigosas? Quando elas saem daí?” são perguntas bem válidas para o início do filme e que não são respondidas.
Esse mesmo erro continua acontecendo durante o filme. Há personagens que aparecem e desaparecem sem a menor explicação. Por exemplo: não é possível entender quem afinal é o vilão até os últimos minutos do filme (e isso de uma forma chata, não naquela linha de “quem matou Odete Roitman” que é legal e intrigante). É um exercício de atenção conseguir ligar todos os pontos.

Por outro lado, o filme conta com momentos de aventura, romance e ação, o que sempre é uma boa combinação para conquistar o público. Os efeitos especiais também são bem feitos, até em momentos que seriam mais complicados, como na cena em que Liam (Harris Dickinson) e Ruby estão colidindo no ar. A produção fez com que tudo parecesse o mais real possível, tirando a ideia pastelão que uma cena dessas ganha quando não é bem feita.
Outros dois pontos fortes no longa são: a fotografia e a trilha sonora. Com cenários lindos e cenas bem abertas, tudo fica harmonioso e um pouco indie, sendo que o filme é todo passado em espaços não necessariamente urbanos. A trilha sonora é linda e acompanha muito bem o desenvolvimento da história, inclusive, fizemos uma playlist com todas as músicas do filme para deixar você com ainda mais vontade de assistir.
Mentes sombrias tem tudo para cair no gosto do público mais jovem, assim como foram os sucessos desde Harry Potter, Jogos Vorazes e até a série Divergente. Vamos torcer para o primeiro fazer sucesso e a série toda ser adaptada! Mentes Sombrias estreia dia 16 de agosto nos cinemas do Brasil inteiro.
A Vigília Recomenda!
