Marte Um é o Brasil no Oscar

Marte Um: Uma carta de amor ao povo brasileiro

Chega aos cinemas nessa quinta-feira (25/08) Marte Um, novo longa de Gabriel Martins que já comandou “No Coração do Mundo” em 2019.

O mais novo filme da produtora mineira Filmes de Plástico e coproduzido pelo Canal Brasil, teve estreia mundial no aclamado Festival de Sundance desse ano, e já rodou o mundo, onde foi exibido em mais de 25 Festivais. No 50º Festival de Cinema de Gramado, o longa emocionou o público, levando pra casa os Kikitos de Melhor Roteiro, Melhor Trilha Musical, Júri Popular e o Prêmio Especial do Júri.

Cícero Lucas no belo pôster de Marte Um
Belo pôster de Marte Um

O filme narra a história da família Martins, que vive em Contagem, Minas Gerais, após a decepcionante posse de um presidente de extrema direita. Família negra e de baixa renda, eles sentem a tensão da nova realidade. A mãe Tércia (Rejane Faria – série “Segunda Chamada”), depois de “cair” em uma dessas “câmeras escondidas” da TV começa a ter insônia e síndrome do pânico. O pai, Wellington (Carlos Francisco – Bacurau) trabalha em um condomínio de luxo. Sóbrio há quatro anos, amante de futebol, aposta o futuro da família no seu filho caçula Deivinho (Cícero Lucas) que é um dos talentos do campinho do Colo-Colo, o time do bairro. Mas o jovem sonha em ser astrofísico e colonizar Marte como nos propagados planos da Nasa. Enquanto isso, a filha mais velha Eunice (Camilla Souza) pretende sair de casa e morar com sua namorada, mas não tem coragem de contar para seus pais. Temos aqui, a realidade de muitas famílias brasileiras.

Gabriel Martins, além de dirigir, também roteirizou o longa, que é bastante crível e em nenhum momento força a barra ou apela para o melodrama. Junto do texto, a direção é segura. A câmera serve como um observador do cotidiano. Somente um momento ou outro passa um pouquinho do ponto, como a sequência da “pegadinha”, a atuação do novo funcionário do prédio onde Wellington trabalha e a cena envolvendo uma bicicleta, mas nada que atrapalhe a experiência. O elenco é maravilhoso, criando uma dinâmica familiar magnífica! Cada integrante da família tem um arco e um bom tempo de tela, não deixando ninguém de escanteio. Suas motivações são claras e em nenhum momento existe um julgamento, mas sim, a condução que leva o espectador a sentir carinho por todos os personagens. Sem exceção. Isso é muito difícil de acontecer! Geralmente um ou outro a gente não se importa, mas nesse caso, abraçamos todos. O destaque vai para Cícero Lucas como o Deivinho. Em vez de ser um “aborrecente”, o seu personagem é cheio de doçura.

A notícia que interrompeu o jogo de buraco

Apesar do foco do filme não ser político, nos minutos iniciais da projeção com o som do rádio anunciando quem ganhou a eleição, e morando no país do presidente eleito, sabemos o que vem a seguir. Aliás, vivemos isso, não é mesmo?!? Um preto, pobre querendo ser astrofísico em um país racista e com uma gritante diferença social? Não é fácil, e desistir não é uma opção. Em um determinado momento um personagem diz: “Estamos fodidos!” Pois é, realmente.

Camilla Souza como Eunice

Mas, se no decorrer existem certas angústias, o filme joga uma esperança em um futuro melhor da forma mais orgânica possível.  São pessoas como a família Martins que carregam o Brasil e não os engravatados que estão no poder. Somos brasileiros, onde sempre podemos recomeçar acreditar nos nossos sonhos buscando as estrelas. Nós damos um jeito.

Além do sucesso em festivais, Marte Um é um dos filmes inscritos para disputar a vaga de quem vai representar o Brasil no Oscar.

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Veredito da Vigilia

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