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Invasão Secreta e o final que estragou tudo

Muito bem, voltamos aqui para discutir Invasão Secreta (Secret Invasion), a 12ª produção da Marvel Studios exclusiva para o Disney+. E, infelizmente, mais uma vez, a Casa das Ideias nos deixou com um gostinho amargo depois de seis episódios. Algo que vem se repetindo com alguma normalidade desde a estreia de Cavaleiro da Lua. Ok, você pode também pensar que é desde WandaVision, mas aí caímos em uma questão muito particular. Vou dar o crédito para a Disney/Marvel pois me diverti com as séries, na maioria das vezes (em breve faremos um ranking por aqui).

Invasão Secreta, como já comentamos antes, começou de forma promissora. A ideia da saga dos quadrinhos tinha um grande potencial. Além disso, somamos a ideia para um elenco incrível, liderado merecidamente por Samuel L. Jackson, tendo a seu lado ninguém menos que Olivia Colman (A Favorita), Ben Mendelsohn (Rogue One), Emilia Clarke (Game of Thrones), Kingsley Ben-Adir e claro, Don Cheadle. Em muitos momentos, foi a presença deles que elevou a série. A criação/adaptação para a TV foi de Kyle Bradstreet (Mr. Robot), com roteiros compartilhados com Brian Tucker (Linha de Ação). Para comandar a orquestra, foi escalado Ali Selim (Mentes Criminosas e The Looming Tower), que dirigiu todos os episódios.

Porém, o começo promissor foi se esfarelando aos poucos. Com uma partida cheia de mistérios, a chegada deixou muitas lacunas em aberto. Outras, foram resolvidas de forma grosseira e preguiçosa. E aqui, nem considero o hype exagerado que muitos criam. Uma série de TV nunca terá (pelo menos dentro de um universo coeso e cheio de filmes) o mesmo peso que uma obra cinematográfica. Então, imaginar aparições de personagens aqui e ali – historicamente – nunca ajudou as séries da Marvel Studios. Pelo contrário, quanto maior o hype, maior a queda. Ainda assim, faltou muita coisa, que até poderiam ser amenizadas (não muito), com uma cena pós-créditos ou um sinal de que a história ganharia uma segunda temporada. Mas dessa vez, não foi o que aconteceu.

O gosto ao final do último episódio, mesmo que a média até então tenha sido muito boa, fica realmente (e novamente) amargo. Até chegarmos lá, pelo menos, tivemos ótimos momentos com Olivia Colman, e um bom vilão com a interpretação de Kingsley Ben-Adir. Como Gravik ele conseguiu criar mais urgência do que o próprio Jonathan Majors em Loki ou mesmo em Homem-Formiga e a Vespa – Quantumania. Gravik tinha um propósito maior, o que trouxe para a trama o contraponto necessário. 

Invasão Secreta Gravik
Kingsley Ben-Adir entregou um ótimo vilao com Gravik

Já o herói Nick Fury, se mostrou cansado (até demais) com todas as situações vividas nesses mais de 10 anos de Universo Marvel. Pela primeira vez deu a entender que poderia sim desistir. Mas a amizade com os Skrulls (e até bem mais do que amizades) o fez continuar. Ainda assim, a ideia de resolver tudo sozinho não ficou tão bem exposta quanto deveria, mas foi necessária para que a série não caísse ainda mais o seu nível ao final. Resolver a questão com uma ligação para algum herói (qualquer que fosse) seria realmente um anticlímax para tudo que foi prometido. 

Não faltou seriedade ou até mesmo violência para Invasão Secreta. Tivemos boas cenas de ação (Gravik invadindo o “açougue”) e muitos (muitos mesmo) tiros na cabeça (a maioria por Sonya Falsworth/Olivia Colman). A luta de supers também se imaginava, porém, ninguém sabia como seria. E nela, coube a Marvel Studios justificar a contratação da estrela Emilia Clarke. Ela seguirá no Universo Marvel, e não será pouca coisa. Também não faltaram ótimos diálogos. Nick Fury e Talos no trem e Olivia Colman buscando os cientistas entregaram ótimos recortes para as redes sociais (inclusive as nossas). 

Invasão Secreta Episódio 2
Ben Mendelsohn brilhou como Talos e ao lado de Samuel L. Jackson fez uma das melhores cenas da série

Porém…

Temos aqui o “mas”, o “porém” que costumam ser aquela grande rasteira no final da frase. A season finale de Invasão Secreta deixou muito a desejar. E ao invés de proporcionar o que se espera (um gran finale), a Marvel novamente frustrou muitos fãs. Ficou apressado, sem respostas e  pouco inspirado. E como sabemos, no cinema ou nas séries, não é a primeira impressão a que fica, e sim… a final. 

A Marvel Studios precisa (e muitos já falaram isso) rever os processos de linha de produção, reduzindo propostas e as qualificando, ao invés de entregar muito conteúdo com quase nada de importância. Cada vez mais no MCU, menos é mais.

Perguntinha: Alguma série da Marvel é melhor que Pacificador?

Veredito da Vigilia

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