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Fragmentado | Crítica

M. Night Shyamalan é um bom diretor, escritor e produtor. Porém, a cobrança que lhe recai aos ombros sempre é pesada. É uma marca que ficou, tudo em função de sua obra-prima, O Sexto Sentido (1999), que ninguém consegue esquecer. A cobrança ficou forte depois disso. No entanto, temos outros belos trabalhos, como Corpo Fechado (2000), Sinais (2002) e A Vila (2004). E agora em Fragmentado, temos outro grande acerto, com a clássica assinatura que o consagrou, e mais algumas surpresas.

Fique feliz, James McAvoy tem uma personalidade de 9 anos

Tudo está amparado no plot já dado nos trailers. James McAvoy é Kevin, um homem atormentado, que sofre com um transtorno psicológico raro, o que lhe confere não personalidade dupla, mas sim 23 diferentes identidades. Ele sequestra três meninas. Anya Taylor-Joy vive Casey Cooke, Haley Lu Richardson é Claire, e Jessica Sula é Marcia. Elas são controladas pelas mais diferentes identidades, apresentadas de forma brilhante por McAvoy. Méritos para o ator que precisou entrar e sair de dentro desses personagens para algumas cenas já antológicas e bem montadas. Mas além do controle do anfitrião, fica claro que as meninas estão ali para servir a um propósito que não o de bandido comum. Elas são vistas como vítimas que serão servidas para algum outro ser. Afinal, estamos falando de um filme de Shyamalan.

Da esquerda para a direita: Anya Taylor-Joy vive Casey Cooke, Haley Lu Richardson é Claire, e Jessica Sula é Marcia

Em Fragmentado é importante estar atento a tudo. Cenário, diálogos e outras possibilidades. Temos além da trama principal, a introdução da história de Casey, que é um capítulo à parte e faz entendermos algumas decisões da personagem. Impossível não ficar hipnotizado por ela (que esteve em A Bruxa, recentemente). Os segredos vão sendo descascados aos poucos, e, para isso, precisamos da ajuda de outra personagem. A psiquiatra Karen Fletcher (vivida por Betty Buckley) é essencial na lida com Kevin (Dennis, Patricia, Hedwig, Barry, Jade e todos os outros personagens dentro dele). A partir dela também podemos passar a acreditar que o sobrenatural é cada vez mais possível, e aqui, devidamente creditado pela ciência.

Casey também tem segredos para serem revelados

Embora não tenhamos os sustos de Sinais e o Sexto Sentido, ainda estamos no universo (cada vez mais consolidado) de Shyamalan. E o que nos prende e aflige é não saber o que cada uma das 23 personalidades de Kevin pode fazer a cada tentativa de fuga das meninas ou a cada diálogo com a psiquiatra. As sugestões de uma 24ª personalidade parecem cada vez mais claras, além das sugestões da vida pregressa de Casey.

Os desfecho nos traz as devidas explicações e a aquele clássico plot twist “Shyamalânico”. O diretor acerta mais uma vez e o reflexo já foi visto nas bilheterias norte-americanas, superando os  130 milhões de dólares. Mas não é só isso. Dessa vez, depois que você estiver quase que dado por vencido (ou convencido), Shyamalan vai te entregar um pouquinho mais. Nesta sessão, nem só de plot twist final viverá o cinéfilo. Mas para isso, é importante já ser um iniciado.

Veredito da Vigilia

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