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Eles Vão Te Matar chega para suprir a lacuna ‘trash’ de 2026

Eles Vão Te Matar (They Will Kill You), novo terror (terrir) da Warner chega esta semana aos cinemas brasileiros com uma proposta muito clara: não se apegue e não leve nada a sério. A ideia é simples e sem qualquer compromisso. Ative a suspensão da descrença e se deixe levar para uma viagem que passa longe das regras básicas do terror mais sóbrio. O longa dirigido pelo russo Kirill Sokolov tem o carimbo da “grife” de Andy Muschietti (responsável pela última adaptação de IT nos cinemas e também na série derivada Bem-vindos a Derry), que assina como produtor e traz a estrela Zazie Beetz (Deadpool 2, Coringa: Delírio a dois e Trem-Bala) como a grande protagonista. Tal qual o Urso do Pó Branco, o longa preenche a lacuna de filme trash que às vezes esquecemos que precisamos assistir.

Logo de cara o contrato com o espectador é estabelecido. Asia (Zazie Beetz) e sua irmã Maria (Myha’la) fogem de um pai abusivo e violento. A fuga não dá certo e o que parece um thriller dramático … em poucos minutos é jogado pro alto, quando, rapidamente vemos 10 anos passar e uma delas chegar ao diabólico (sim, diabólico), hotel Virgil. O foco muda rapidamente para um filme de vingança que bebe diretamente na fonte de Kill Bill de Quentin Tarantino e tenta imprimir uma nova “Noiva”, que com sua espada na mão vai tentar libertar a irmã perdida da qual se separou na primeira cena. A expectativa, no entanto, é quebrada novamente quando percebemos que não é só um filme de vingança crua, de uma mulher contra uma trupe de bandidos, mas sim, uma batalha contra ricos que escravizam mulheres negras, realizam sacrifícios, e com um pacto com o diabo, se tornaram imortais. A partir disso tudo, aí sim, o céu não é mais o limite. Eles vão te Matar entrega o que se espera em um terror trash e sangrento: cenas absurdas, exageros, um banho de sangue e situações divertidas e feitas para arrancar risos.

E quando nos damos conta de tudo isso, o filme flui. Afinal, cinema também é isso: sentar, desligar a chavinha, deixar as preocupações de lado por cerca de uma hora e meia e se permitir divertir com bobagens. Sim, além de tudo isso, o filme é um ainda é uma ilha entre tantas produções que atualmente nos exigem mais de duas horas de sessão. Tudo é altamente expositivo (compreensível, mas por vezes, bem desnecessário), e absurdamente fácil de se adivinhar o que vai acontecer. E como citei, isso também meio que não importa numa proposta como essa. Se estiver tudo trabalhando pela diversão, tá tudo no lugar.

Eles Vão te Matar com Zazie Beetz

Além de Zazie Beetz, temos um elenco cheio de caras conhecidas. E não precisamos saber se eles possuem ou não um nome. Também não vai importar. Só precisamos saber que eles podem sofrer com mortes brutais… e voltar no segundo seguinte. Por vezes, podemos achar que é o elenco o mais “Série B” possível,. Mas pensando um pouco mais a fundo, temos a (sempre) ótima Patricia Arquette (Stigmata, Boyhood), Tom Felton (Harry Potter) e Heather Graham (Austin Powers e Boogie Nights). Respeito máximo por toda essa galera, que, apesar de tudo, comprou a proposta e abraçou a ideia de que “o barco da zoeira não atraca no porto dos limites”.

Falar da história, detalhar muito tudo que acontece quando você senta para assistir Eles Vão te Matar não ajuda a refinar muito essa crítica. Basta saber que você verá de tudo, ou quase tudo, nessa aventura toda. E não importa. Se você conseguir se deixar levar, a sessão será ótima. Vista a capa de chuva e deixe o sangue espirrar. Já deixo aqui meu pitaco que é o filme trash do ano. Se você gostou de Brightburn, O Urso do Pó Branco, A Morte do Demônio, Mandando Bala e outros filmes da nossa lista de “Filmes Trash, quanto pior, melhor”, então você está muito bem servido.

Veredito da Vigilia

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