Livros

Ana Maria Gonçalves faz história como 1ª mulher negra imortal na ABL

A escritora mineira Ana Maria Gonçalves, autora do premiado romance Um Defeito de Cor, foi eleita para ocupar a Cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 10 de julho de 2025, tornando-se oficialmente a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos de existência. Recentemente, em 07 de novembro, Ama Maria oficialmente tomou posse.

Sua eleição foi expressiva: dos 31 votos possíveis, Ana Maria Gonçalves recebeu 30 votos, superando concorrentes de longa trajetória, um resultado que demonstra reconhecimento unânime de seu lugar na literatura brasileira. 

Autora com atuação consolidada no Brasil e no exterior, Ana Maria Gonçalves nasceu em Ibiá (MG) em 1970 e construiu uma carreira marcante que inclui o romance Um Defeito de Cor, vencedor do Prêmio Casa de las Américas em 2007 e apontado como um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea. 

Em suas declarações após a vitória, a escritora afirmou que esse “é um motivo para comemorar, mas também para começarmos a pensar o que significam esses primeiros, esses únicos”. Um convite à reflexão sobre representatividade no universo literário. 

 Ana Maria Gonçalves tomou posse da Cadeira 33 da ABL, tornando-se a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos.

Representatividade que ultrapassa o símbolo

A entrada de Ana Maria Gonçalves na ABL não se trata apenas de um marco simbólico: significa um passo importante para que a instituição, historicamente branca e masculina, se aproxime da pluralidade da cultura brasileira. Em razão disso, a instituição agora contará com três acadêmicos negros em seu quadro: Domício Proença Filho, Gilberto Gil e Ana Maria Gonçalves (sendo ela também apenas a 13ª mulher a entrar na ABL desde sua fundação). 

Prioridades e renovação

Além da carreira literária, Ana Maria Gonçalves tem se destacado como roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa. Entre suas novas missões como imortal, ela cita a necessidade de levar à ABL temas como a inteligência artificial na produção literária, a valorização da diversidade e a atração de novos públicos para o universo das letras. 

A cerimônia de posse representou não só a consagração de uma escritora de peso, mas a renovação de uma instituição que agora abre espaço para vozes historicamente marginalizadas. Para muitos, isso sinaliza o início de uma nova etapa, em que a cultura brasileira seja de fato refletida em seus espaços de poder literário.

No evento, Ana recebeu o colar acadêmico e o diploma por Gilberto Gil, em um momento emocionante. Agora uma “imortal”, a autora fez questão de, em sua fala de aceitação, evocar a ancestralidade, agradecendo às suas antepassadas e demais mulheres negras que trilharam caminhos que permitiram a sua chegada até aqui. Ela ainda destacou a importância de ocupar esse espaço que em tantas ocasiões e por tanto tempo, silenciou e ignorou vozes e histórias como a dela.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *