Abestalhados 2 crítica

Abestalhados 2: um filme de origem que já nasceu franquia

Ao cruzar com o cartaz de Abestalhados 2, não se preocupe ao não se recordar de ter visto ou ouvido falar de Abestalhados 1. A verdade é que ele nem existe. E fazendo piada desde o seu título, o filme dirigido por Marcos Jorge (Estômago) e Marcelo Botta traz um time de grandes nomes da comédia nacional para entregar um filme realmente diferente do que estamos acostumados. Ainda mais se pensarmos no padrão de comédia que é recorrente nos cinemas brasileiros.

Interessante comentar que este que vos escreve fez o movimento preconceituoso de uma leitura automática. Assim que bati o olho no cartaz do filme passei batido e pensei exatamente isso: “nossa mais uma comédia genérica… e olha que eu nem vi o primeiro já estão fazendo o segundo”. Pois é, eu cai bonito na pegadinha e me surpreendi demais com o que vi. Entrei na sala escura com minha opinião praticamente formada (aliás, será que a gente não é assim para quase todos os assuntos?). E mudei completamente ao final. Às vezes, o benefício da dúvida, o ato de ler a matéria completa, e não só a manchete, faz toda a diferença, não é mesmo? Recomendo a partir de agora que esse exercício seja feito por todos nós sempre que possível. É difícil, mas dá pra reprogramar essas barreiras mentais com alguma disciplina. 

Confira nossa entrevista com os diretores e elenco de Abestalhados 2

E o filme é exatamente o que se propõe a fazer. Acompanhamos os entusiasmados funcionários de uma pequena agência de publicidade que quer fazer um grande blockbuster chamado “Acelerados 2”. A metalinguagem é também proposital. Eles, assim como o próprio filme em que estão inseridos, querem começar uma franquia pelo segundo filme. A desculpa é clara: “O segundo filme é sempre o melhor, então porque não começar por ele? Aí já se tem uma franquia”

Elenco é o trunfo de Abestalhados 2

Paulinho Serra é o diretor Paulo Carmo. Prolixo que só, ele invade as cenas e não para de falar. Raul Chequer é o roteirista Manuel Oliveira, que basicamente emula uma mistura de intelectual com Maurilio dos Anjos (seu personagem no Choque de Cultura). Pra quem gosta desse humor, é um prato cheio. Já Leandro Ramos é Eric Rios, diretor de produção, mas principalmente técnico de som. O som é a sua obsessão. Ele também acaba sendo um pouco de Julinho da Van. Felipe Torres completa a equipe do filme como Alex Balas, um cara ingênuo e que só pensa em filmar no estilo “noir”.

Usando o estilo mocumentário (mockumentary), que foi popularizado por The Office, vamos acompanhando a saga desse grupo, que quer botar rostos conhecidos em seu filme (o gancho para várias participações especiais) e buscar mais recursos para finalizar “Acelerados 2”. Spoiler da vida: eles vão ‘cair para cima’ em várias situações. O grande problema é que eles jamais finalizaram o roteiro.

Abestalhados 2
Reuniões e mais reuniões, mas nada do roteiro completo de Acelerados 2

A primeira hora de filme é frenética e entrega o melhor de “Abestalhados 2”. Em vários momentos me peguei rindo alto. Com o tempo, parece que o filme perde o ritmo e as soluções vão ficando um pouco menos interessantes, não entregando tanto em seu final. Talvez isso também seja uma própria cópia do filme dentro do filme, onde a produtora entregou tudo na cena de abertura e o restante acabou não acontecendo. Ainda assim, Abestalhados vai lhe surpreender em vários aspectos. O principal deles, e isso pode até ser uma semente importante para o futuro, é o apanhado de boas cenas de ação. Exatamente… não poderia deixar essa crítica sem esse importante elogio: Abestalhados 2 consegue também ser uma comédia de ação com cenas e coreografias que não vimos ainda em longas nacionais. A produção está de parabéns.

Agora é esperar por Abestalhados 3. Ou será que agora vem um prequel? Sei lá, mas algum derivado certamente virá!

E a Vigília Recomenda!

Veredito da Vigilia

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