A Era de Ouro: um filme egoico de “quases”

“Chapa branca” é uma expressão utilizada no jornalismo quando queremos falar de algo que é patrocinado, realizado por quem tem interesse. Após assistir aos créditos de A Era de Ouro, entendi exatamente tudo o que me incomodou no filme: o olhar único para a história.

A Era de Ouro conta a história de Neil Bogart (Jeremy Jordan), fundador da gravadora Casablanca Records na década de 1970. Bogart foi responsável por lançar grandes artistas como Donna Summer, Kiss e Village People. E era exatamente mais sobre isso que gostaria de ver.

Dirigido por Timothy Scott Bogart (ora veja só!), o filme pinta um Neil um pouco desviado, mas grande visionário. Gênio, até mesmo. Tudo é sobre ele, sobre o que ele conquistou e até suas dívidas viram uma galhofa.

A busca do sucesso é clara. Tanto de Bogart (o protagonista) quanto de Bogart (o diretor do filme). Mas, a vida imita a obra e tudo é deixado no quase. Assim como a carreira do criador da Casablanca, o filme quase engrena. O filme quase emociona. O filme quase diverte. Mas é um compilado de imagens que deixa o espectador sem emoções. Nem bom, nem ruim. Mas chato, cansativo e pedante.

O visual da Era de Ouro é um acerto do filme
O visual da Era de Ouro é um acerto do filme

É notória a falta de envolvimento com a história dos artistas. Um mundo para ser explorado, mas o foco principal é claramente apenas Neil. A real era de ouro fica esquecida no egocentrismo de um personagem que não cativa.

O grande destaque de A Era de Ouro é sua trilha sonora, com toda certeza. Mas queria um pouco mais. O que não ficou devendo foi a parte visual. Figurinos, ambientações e jogos de luzes que nos remetem realmente à Era de Ouro fizeram toda diferença para salvar, nem que fosse um pouco, o roteiro desse longa.

A Era de Ouro é um compilado de cenas cafonas misturadas com uma história quase megalomaníaca. A impressão que temos, quando termina o filme, é que alguém foi enganado. Nesse caso, claramente, foi o público.

Veredito da Vigilia

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