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Thor: Amor e Trovão: explosão de cores e emoções

A hora e a vez de Thor: Amor e Trovão (Thor: Love and Thunder). Há menos de dois meses atrás escrevi aqui que a Marvel Studios tinha entregado seu primeiro filme de terror com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Agora, posso me atrever que estamos diante de sua primeira comédia romântica. É claro, uma comédia romântica com muita aventura, ação, duelos grandiosos e momentos icônicos. 

O novo filme de Taika Waititi (Jojo Rabitt) tem personalidade, estilo, uma excelente trilha sonora (como já se previa nos trailers), mas, acima de tudo, tem coração. E são nos momentos emocionantes que o filme conquista, fazendo com que Thor seja não só o único vingador original com quatro filmes (ninguém diria isso depois de Thor: O Mundo Sombrio), mas também como ele seja o melhor filme do Deus do Trovão. A mistura e o apanhado de “Trovoada da Paixão”, como eu chamo o filme carinhosamente, só se perde em detalhes técnicos, mas que em nada vão tirar seu sorriso do rosto após a sessão. E pra fechar o checklist do primeiro parágrafo, sim, temos duas cenas pós-créditos.

Antes de aprofundar um pouco mais sobre o filme, creio que faço valer a ideia de que minha primeira impressão de Thor: Ragnarok, o primeiro filme de Taika Waititi na Marvel Studios, foi bem irregular. O longa só me ganhou com o tempo, mas, salvo alguns momentos, nunca depositei muito valor nele. E isso, afeta de forma importante essa nova opinião com Thor: Amor e Trovão.

Thor Love and Thunder
Trava na pose: a poderosa Thor é uma das melhores coisas do filme

O filme começa com a introdução do novo vilão, vivido de forma quase-brilhante por Christian Bale, que dispensa apresentações. A sua gênese, principalmente para os pais de primeira viagem, como eu, é angustiante e mexe da forma correta no público. Depois, ele se torna apenas o que precisa: Gorr, o Carniceiro dos Deuses. Embora ele só acabe com um deles, temos um vislumbre que ele está realmente matando os “deuses menos importantes” através das galáxias. De forma dinâmica, como em todo o desenvolvimento do filme (que no final vira um problema), já vamos para a situação crítica de saúde de Jane Foster, com Natalie Portman voltando ao papel e, enfim, tendo o destaque necessário no MCU. Vale lembrar, a essência dos quadrinhos de Jason Aaron está no filme, tanto que ele é creditado na obra. Obviamente, essa é a melhor notícia de todas. Prepare o lencinho.

Christian Bale em Thor: Amor e Trovão
O sempre excelente Christian Bale como Gorr em Thor: Amor e Trovão. ©Marvel Studios 2022. All Rights Reserved.

Já Thor (Chris Hemsworth) está com os Guardiões da Galáxia. Com uma aventura sempre narrada por Korg (o próprio Taika Waititi), vamos sendo encaminhados para os momentos de explosão visual e batalhas de tirar o fôlego – e arrancar risos – na primeira parte da comédia de Amor e Trovão. Com uma participação pequena, apenas para dar o charme e nos posicionar o que rolou com eles após Vingadores: Ultimato, o grupo de desajustados (estão todos lá: Senhor das Estrelas/Chris Pratt, Nebulosa/ Karen Gillan, Draxx/Dave Bautista, Rocket/Bradley Cooper, Manthis/ Pom Klementieff e Groot/Vin Diesel) participa rapidamente e depois dá o espaço para o protagonista brilhar. Após uma missão, ele leva seus bodes gigantes de presente. E eles serão importantes ali na frente. Sim, destaque para os Bodes Gigantes. Mais uma vez, você não leu errado: BODES GIGANTES! Visivelmente nascido para o Thor da comédia, Chris Hemsworth surfa do início ao fim e sua presença melhora ao lado de Jane Foster/Natalia Portman.

E claro, temos Nova Asgard como um local importante. Afinal, para onde iria um carniceiro de deuses, não é mesmo? Por lá, é Valquíria (a ótima Tessa Thompson) quem dá as cartas, e a construção do novo lar dos asgardianos (e não só asgardianos) é o ambiente ideal para a busca/chamado de Jane com o que sobrou do Mjolnir e o estopim para a guerra. E vemos novamente aquela excelente esquete de teatro regada a grandes participações especiais, tal qual tivemos em Thor: Ragnarok. Aquele charme que rende boas piadas.

Thor Amor e trovão, Jane Foster e Valquíria
Tessa Thompson volta como Valquíria e Natalie Portman é a Poderosa Thor. Cred. Jasin Boland. ©Marvel Studios 2022. All Rights Reserved.

Misturando tudo isso com um grande sequestro de crianças asgardianas (e não só asgardianas) que a aventura começa de vez. Durante o percurso, é claro, surge a brilhante (em todos os sentidos) ideia de consultar Zeus e levar um exército para enfrentar Gorr. Na Cidade da Onipotência teremos mais um grande momento em que o toque artístico de Taika Waititi que basicamente subverte com leveza um verdadeiro banho de sangue. A estética explica. Russell Crowe entrega seu Zeus caricato e cômico, e como os fãs podem prever… bom sem spoilers por aqui.

Os momentos a seguir dão um freio na comédia e trazem contornos que são uma grande homenagem à história do cinema, com toques de expressionismo alemão e trucagens que lembram o filme Viagem à Lua, de Georges Méliès (ué, ainda estamos falando de um filme da Marvel?). Além disso, temos a carga dramática e o texto certeiro que traz reflexões (sim, reflexões) sobre o amor e a vida. Pode acreditar que os marmanjos vão suar pelos olhos.

Chris Hemsworth volta como Thor
Chris Hemsworth as Thor in Marvel Studios’ THOR: LOVE AND THUNDER. Photo by Jasin Boland. ©Marvel Studios 2022. All Rights Reserved.

Entretanto, é a partir daqui que temos várias situações apressadas que impactam negativamente. Edições com cortes bem abruptos e situações pouco convincentes aparecem na primeira derrocada dos heróis. E elas vão nos acompanhar até o ápice do filme, tirando força de momentos cruciais, deixando o “show, don’t tell” (mostre não conte), uma regra clássica do cinema, completamente de lado. Visivelmente tivemos uma mão pesada na sala de cortes. Uma pena.

Apesar dos problemas, Thor: Amor e Trovão é uma viagem sólida, divertida, empolgante e regada a Guns n’ Roses. Você vai com certeza sair da sessão com um sorriso no rosto após os créditos e as duas cenas extras. Temos então, o melhor filme do Thor no MCU… e um futuro bem promissor. 

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