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The Gifted | Crítica da 1ª Temporada

Quando não se tem expectativa nenhuma (ou negativa) de um trabalho (série, filme, livro, HQ) e ele te surpreende, é como saborear uma pequena vitória. Principalmente no nosso universo nerd/geek/cinéfilo… e ainda mais quando essa surpresa não vem com promessas mirabolantes e adaptações de obras-primas de nossa infância ou best-sellers mundiais.

É o que temos aqui. Levemente baseado nos quadrinhos mutantes da Marvel, The Gifted (Os Dotados, em uma tradução tosca) nos traz uma trama nova, com inspirações em histórias diversas (que já conhecemos) e um ambiente desconhecido onde uma equipe de X-Men existiu, e, por algum motivo ainda não explicado, não está mais “ativa”. Sobra então o tal sonho de coexistência entre humanos e mutantes (humanos com predisposição genética a dons especiais, e possivelmente o próximo passo evolutivo da humanidade) para alguns renegados que vivem escondidos, em casas e instituições abandonadas, de reagrupar esses mutantes excluídos e sobreviver. E em The Gifted somos apresentados a alguns novos personagens. E para o clamor dos fãs dos mutantes, alguns bem conhecidos (mas nenhum do primeiro escalão do nosso querido Universo Marvel). Entre eles:

– Lorna Dane, aqui em uma versão visualmente ‘gótica’ de Polaris, interpretada por Emma Dumont;

– Marco Diaz, o Eclipse, um personagem novo (inspirado no personagem Mancha Solar de uma realidade alternativa) que tem poderes de raios luminosos. Sean Teale é quem interpreta;

– John Proudstar, o indígena-americano Pássaro Trovejante, que tem os sentidos amplificados, além de força e velocidade, interpretado por Blair Redford;

– Clarice Fong, a Blink, criadora de portais, interpretada por Jamie Chung, das séries Believe e Gotham. A única que já apareceu no cinema, lá no temeroso Dias de Um Futuro Esquecido, de Bryan Singer.

Aos poucos mais alguns rostinhos (pouco) conhecidos aparecem: Sábia, as trigêmeas Stepford/Frost, Elixir, Shatter e Dreamer. Tudo isso nos introduzindo da forma mais tradicional a vida de adolescentes e vendo ela virar do avesso quando seus poderes mutantes afloram.

E por isso somos apresentados a Lauren (Natalie Alyn Lind) e Andy Strucker (Percy Hynes White) – sim você já ouviu o nome da família Strucker antes -, adolescentes que são pegos no meio do fogo cruzado de uma caça a mutantes feita pelo governo por meio das Industrias Trask (você também já ouviu esse nome antes). Tendo que fugir pelas suas vidas, Lauren e Andy e seus pais Reed (Stephen Moyer de True Blood) e Kate (Amy Acker, de Person Of Interest e Alias) têm a vida revirada após a descoberta que são “dotados”.

A série mantém essa pegada de mutantes fugindo de um lugar ao outro, indo ao passado dos personagens (principalmente os Strucker) de forma bem desprendida do material original das HQ’s. E é isso – mais os efeitos especiais caprichados – que faz a trama parecer sucinta, nada forçado. Como sempre, os mutantes estão contra tudo e contra todos e por mais que alguns vilões tenham motivações interessantes, nada supera a premissa básica do cânone mutante: a sobrevivência das minorias e a luta contra o preconceito.

Em The Gifted, tudo foi criado e muito bem orquestrado pela produção e texto de Matt Nix, produção e direção de alguns episódios por Len Wiseman (responsável pelos filmes Anjos da Noite, e <momento fofoca> marido da Kate Backinsale), o hoje nem tão mais celebrado Bryan Singer (X-Men, Os Suspeitos), produção de Simon Kinberg (produtor de todos filmes mutantes e diretor do vindouro X-Men: Fênix Negra – medo -, Jeph Loeb (Chefão da Marvel TV), Joe Quesada (CCO da Marvel – Chief Creative Officer), Lauren Schuler Donner (produtora de tudo mutante da FOX) e Karim Zreik (produtor das séries Marvel/Netflix).

Quando pensaríamos nós que, em 2017/2018 haveria boas séries de mutantes na televisão, e  ainda mais pelo canal FOX, logo após os flops mutantes no cinema, não é mesmo? Sem muito spoiler, assim como nos quadrinhos, há uma grande cisão entre os mutantes no último dos 13 episódios, o que os leva diretamente para a segunda temporada, já encomendada para esse ano, onde teremos outros personagens importantes, assim como um grupo mutante muito conhecido e influente na alta sociedade. A Vigilia recomenda!

 

Éderson Nunes

@elnunes

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