CríticaFilmesOpinião

Superman: James Gunn acerta novamente!

Superman, o nosso “homem de aço”, é um personagem controverso. Amado e desprezado por muitos, ele tem sua bússola moral norteando todas as suas ações. Em 2025, ganha um novo filme (com estreias antecipadas para dia 8 de julho), agora pelas mãos do habilidoso James Gunn (trilogia Guardiões da Galáxia, Esquadrão Suicida). Um novo filme, um novo protagonista e um novo universo. Desta vez, como deveria ser, longe da depressão e do “sombrio e realista” de Zack Snyder, que desconfigurou completamente a criação de Joe Shuster e Jerry Siegel.

Na nova trama, a premissa pode parecer batida. Afinal, o homem de aço precisa enfrentar, mais uma vez, a mente diabólica de Lex Luthor. Contudo, as camadas de drama e as referências aos quadrinhos fazem Superman ser um filme único. Desta vez, colorido e solar, trazendo o otimismo característico do Super. E com James Gunn brincando com todas as peças possíveis de um novo universo cinematográfico. Criado, veja só, por ele mesmo. Afinal, ele agora é a mente criativa de tudo que vier pela frente.

James Gunn tem uma assinatura muito marcante e deu à esse Superman todos os elementos que um filme de quadrinhos realmente merece. Do cachinho caído na testa aos movimentos da coreografia da luta, grande parte do que se vê em tela parece ter saído diretamente das páginas de HQs.

A composição da “Gangue da Justiça” (Liga?) é outra referência muito forte dos quadrinhos e até  animados. Tudo parece uma grande homenagem aos fãs de super-heróis que se apaixonaram pelo personagem desde muito cedo. No enredo, Superman precisa lidar com as criações de Luthor. Com vilões pensados exatamente para detê-lo, Luthor coloca o mundo em perigo em buracos negros e fendas temporais. Sim Gunn não se priva de nada. Para ele não há limites. Mas, de todas as questões, a emocional é a mais forte. Clark Kent se redescobre como “humano” e nota que algumas das suas convicções caem por terra. Porém, vimos pouco Kent e muito Superman no filme. Fez falta entendermos mais as relações e tudo que permeia a versão mundana do herói.

O elenco é um dos grandes acertos do longa. David Corenswest convence como Superman, o belo sorriso e o cacho na testa dão um charme especial ao personagem. Rachel Brosnaham se tornou uma ótima Lois Lane e o próprio Nicholas Hoult consegue dar o tom a Luthor (tão desenfreado quanto James Gunn e uma caixa de brinquedos/armas na mão). 

Nos pontos fracos, temos a fotografia esmaecida, que, por vezes, faz parecer um filme de baixíssimo orçamento. Em termos de imagem, ambientação e cenografia, Superman deixa muito a desejar. A continuidade é um problema bem sério enfrentado pelo filme. Existem cenas desconexas que entram em contradição com o que foi dito ou visto na cena anterior. Uma em especial é realmente marcante. Como passou pelos continuítas? Eis uma grande questão! Krypto,  o Super-Cão, se torna um grande alívio cômico, quebrando de vez a (antiga) seriedade da DC. 

Superman, então, ganha essa assinatura de James Gunn e é um filme que parece ser feito de fã para fã. Quem ama esse universo, sairá contente dos cinemas.

Ah, e temos duas cenas pós-créditos. Não se anime muito com elas.

Veredito da Vigilia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *