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Rodado em Novo Hamburgo, filme gaúcho “Espiral” estreia em outubro nos cinemas com sessão especial

O fim de um ciclo familiar expõe feridas, segredos e afetos enterrados sob o couro e o suor da indústria calçadista de Novo Hamburgo (RS). Um drama intenso sobre perdas, silêncios e a herança invisível que molda quem somos.

Esta é a premissa de “Espiral”, longa-metragem de Leonardo Peixoto, que ganha sessão especial no dia 1º de outubro, quarta-feira, no Cinemark Novo Hamburgo, às 20h. Em seguida, entra em cartaz em Porto Alegre a partir do dia 2 de outubro na Cinemateca Paulo Amorim.

As praças e horários de exibição podem ser conferidos no Instagram @filmeespiral.

“Novo Hamburgo é a capital nacional do calçado. Tem quem diga que não é mais, tem quem diga que ainda é, mas o certo é que todos são atravessados por isso. Cada um, cada casa, quem já estava aqui e quem chega depois”, conta o jogral que abre “Espiral”. O filme começa em 1982, com um trio de empresários da cidade, ao telefone, fechando negócios com o exterior. Eles são Luiz (Gutto Szuster) e Vilma (Renata de Lélis), o casal Barros, e seu sócio, Sérgio Schmidt (Marcos Verza). De lá, vamos para 2022, em uma refeição em família, e logo depois para 2000 e 1994, alternando épocas de uma grande confraternização familiar.

“A ideia é falar desse conceito do tempo em formato de espiral, não linear. Em encontros de família, por mais banais que pareçam, sempre tem muitas camadas, sempre tem muita história envolvida”, explica o diretor Leonardo Peixoto. “E a partir disso, conseguimos falar da cidade de Novo Hamburgo, especificamente. Na época dos anos 1980, ela era chamada de a Manchester brasileira, em razão do tanto de dinheiro que circulava graças à indústria calçadista, e isso impactou muito a cidade”, elabora.

Cartaz promocional do filme

Peixoto nasceu em Pelotas (RS), e se mudou para Novo Hamburgo com onze anos. Crescendo, ouvia histórias de pais de amigos que faliram. A cidade foi se transformando após o boom da indústria de calçados, preparada desde os anos 1960. Com a chegada da China ao mercado na década de 1990, a situação da cidade mudou drasticamente. A trama de “Espiral” traz para a tela, as dores e alegrias de uma família cuja histórias de vida são sincrônicas com a ascensão e o declínio do setor calçadista no município.

“É um filme sobre uma família descobrindo seus próprios caminhos individuais e da família em si, e lidando com tudo que chega de fora também, a partir da sua casa e do seu reduto”, resume Peixoto. “Tendo, claro, Novo Hamburgo como pano de fundo, e não tem como falar da constituição da cidade sem falar da indústria calçadista. Então tudo acaba se misturando. Essa família é uma família que foi da indústria calçadista e ali construiu essa vida e seu sustento”, complementa.

A produção é assinada pela Convergência Produtora em coprodução com a Bactéria Filmes e a Sala Filmes, e conta ainda com a Melancia Filmes como produtora associada, e distribuição da Contágio, departamento de distribuição da Bactéria Filmes. Essa aliança entre quatro produtoras gaúchas se consolidou em meio a um cenário de crise para a cultura, atravessado pela pandemia, pelo esvaziamento das políticas de fomento e mais recentemente pela tragédia climática que paralisou o estado.

Para Daniela Israel, diretora da Bactéria Filmes, o longa é também um mergulho pessoal: “Espiral toca fundo porque dialoga com a minha própria história. Venho de uma família que começou a vida no chão de fábrica do couro e do sapato, e trazer isso para a tela é revisitar memórias afetivas que carregam tanto dor quanto orgulho”.

Junto com Espiral, passa o curta “De Volta ao Jogo”. Realizado também em Novo Hamburgo, o curta de 15 minutos aposta no humor para falar de intimidade e amor em tempos de crise. A trama acompanha Paulo e Marta, torcedores do clube local, que enfrentam um problema conjugal. Em busca de um estimulante, ele descobre que nem todo “impedimento” é definitivo – e que o amor pode surpreender até nos acréscimos. O curta é uma direção de Leo Peixoto e Freddy Paz.

Mais do que registrar um drama familiar, “Espiral” e “De Volta ao Jogo” projetam impacto cultural e econômico em Novo Hamburgo, cidade que busca diversificar sua matriz produtiva. Do set de filmagens às escolas da periferia que receberam kits de cinema, as produções carregam a marca de uma região que insiste em se reinventar e que, agora, transforma sua memória industrial e afetiva em narrativa coletiva.

“Espiral” é uma realização viabilizada pelo Edital 04/2020 da Leo Aldir Blanc, Prefeitura de Novo Hamburgo, edital Produção – Arranjos Regionais, em parceria entre a Prefeitura de Novo Hamburgo e ANCINE, FSA e Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), através do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

O projeto conta ainda com patrocínio do Novo Hamburgo Polo Audiovisual e financiamento da ANCINE, BRDE, Pró-Cultura RS, IECINE RS e SEDAC/RS, através do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

Confira a sinopse de “Espiral”:

Em “Espiral”, o fim de um ciclo familiar expõe feridas, segredos e afetos enterrados sob o couro e o suor da indústria calçadista de Novo Hamburgo. Um drama intenso sobre perdas, silêncios e a herança invisível que molda quem somos.

Confira a sinopse de “De volta ao jogo”

Paulo e Marta, torcedores do Novo Hamburgo, enfrentam uma crise conjugal: o “jogador” de Paulo parou de “entrar em campo”. Em busca de um estimulante, ele descobre que nem todo “impedimento” é um problema — e que o amor pode surpreender até nos acréscimos.

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