Ozzy Osbourne deixa legado inestimável para o rock e a cultura
Faleceu nesta terça-feira (22/07), Ozzy Osbourne, conhecido como o “Príncipe das Trevas”. Com uma carreira na música de mais de 50 anos, o músico e compositor se tornou um ícone do rock e do metal, tanto com suas contribuições na banda Black Sabbath, como em sua carreira de artista solo. A causa de sua morte ainda não foi revelada.
Com 76 anos, Ozzy, o “padrinho” do heavy metal, vinha sofrendo com a Doença de Parkinson desde 2019 e já estava com a saúde debilitada. Seu último show foi ao lado dos membro da Black Sabbath, um grande evento que ocorreu em 5 de julho de 2025, na cidade natal do artista e da banda, em Birmingham, na Inglaterra. O espetáculo também contou com diversos artistas de bandas como Metallica, Slayer, Pantera, Gojira, Halestorm, Alice in Chains, Lamb of God, Anthrax e Mastodo. O show aconteceu para arrecadar fundos para financiar pesquisas para a cura do Parkinson – também com transmissão paga online, transformando-o no show beneficente mais rentável da história. Mesmo sem conseguir andar, o artista entregou uma performance memorável, sentado em uma poltrona gótica preta – mostrando que persistir é o que há de mais rock and roll.
Confira abaixo um vídeo feito por um fã durante o evento:
Em comunicado através das redes sociais, sua família diz que Ozzy “morreu cercado de amor”. O anúncio foi assinado por Sharon, sua esposa, e pelos filhos Jack, Kelly, Aimee and Louis. Ele também deixa os filhos Jessica e Elliot.
MAIS DE 5 DÉCADAS DE CARREIRA
Ozzy Osbourne marcou a história do rock como vocalista do Black Sabbath, banda que ajudou a fundar em 1968 ao lado de Tony Iommi (guitarra), Bill Ward (bateria) e Geezer Butler (baixo). Juntos, eles lançaram o disco de estreia “Black Sabbath” em 1970, considerado por muitos o ponto de partida do heavy metal. Ainda nos anos 1970, com Ozzy nos vocais, o grupo lançou álbuns clássicos como “Paranoid“, “Master of Reality“, “Sabbath Bloody Sabbath” e “Never Say Die!“, este último em 1978, marcando a despedida de Osbourne da banda naquele período.
Com sua voz inconfundível e presença de palco polêmica, Ozzy construiu uma persona única, frequentemente associada ao lado sombrio do rock. Sua imagem provocativa, aliada a performances intensas e referências ao ocultismo, lhe rendeu o apelido de “Príncipe das Trevas”. No entanto, ele sempre afirmou que tudo fazia parte de uma encenação artística.
Após ser demitido do Sabbath em 1979, por conta de problemas com drogas e álcool, Ozzy deu início a uma bem-sucedida carreira solo. Com o apoio fundamental de sua esposa e empresária, Sharon Osbourne, peça-chave na reestruturação de sua carreira, ele lançou o projeto Blizzard of Ozz, que emplacou sucessos como “Crazy Train” e “Mr. Crowley“. A partir dali, consolidou-se como um dos maiores nomes do gênero, lançando 13 álbuns de estúdio solo e vendendo, entre projetos individuais e coletivos, mais de 100 milhões de discos.
Um dos episódios mais marcantes (e bizarros) de sua trajetória ocorreu durante um show, quando Ozzy mordeu a cabeça de um morcego jogado por um fã no palco (acreditando tratar-se de um boneco de borracha, diga-se de passagem). O caso reforçou sua fama de excêntrico e contribuiu para a aura de mistério que o acompanhou por décadas, embora também tenha gerado problemas de saúde e alimentado boatos sobre sua morte já naquela época.
No Brasil, sua apresentação no Rock in Rio de 1985 foi histórica, mas também reveladora de seu incômodo com os rótulos que o cercavam: durante entrevistas, se mostrou irritado com as constantes perguntas sobre satanismo, ressaltando que sua arte era feita de personagens, não de crenças pessoais.
Além de sua importância musical, Ozzy também teve forte impacto na cultura pop. Entre 2002 e 2005, protagonizou o reality show The Osbournes, exibido pela MTV, que mostrava o cotidiano caótico e irreverente de sua família. O programa se tornou um fenômeno de audiência e ajudou a popularizar o formato de reality familiar na televisão. A série revelou ao público um lado mais humano e até cômico do cantor (em contraste com sua imagem sombria nos palcos), ampliando ainda mais seu alcance para além do universo do rock e o tornando uma figura conhecida inclusive entre quem não acompanhava sua carreira musical.
Apesar da separação conturbada, Ozzy voltou a se reunir com os membros do Black Sabbath em diferentes momentos. Em 2013, lançaram 13, o primeiro álbum com ele nos vocais desde os anos 1970. Em 2016-2017, realizaram a turnê “The End”, marcando a despedida oficial da banda. Esse reencontro foi simbólico e emocionante para os fãs e para o próprio Ozzy, que encerrou um ciclo importante de sua vida.
Ozzy enfrentou décadas de luta contra o abuso de álcool e drogas, tema que ele abordou com franqueza em entrevistas e em sua autobiografia (“Eu Sou Ozzy”, de 2009). Sua sobrevivência a tantos excessos é vista quase como “lendária”, e ele mesmo se dizia surpreso por ainda estar vivo. Ao longo dos anos, passou por diversos tratamentos e cirurgias, inclusive mais recentemente, devido a problemas na coluna e no sistema nervoso, o que o levou a se afastar dos palcos por longos períodos.
Ao longo das décadas, Ozzy Osbourne não apenas ajudou a moldar o heavy metal como gênero musical, mas também se transformou em um ícone da cultura pop: um artista cuja influência ultrapassou gerações, estilos e formatos, deixando um legado único e inesquecível.
Além da autobriografia de 2009, Ozzy também escreveu “Confie em Mim, Eu sou o Dr. Ozzy”, em 2011. Um documentário sobre sua carreira e problemas de saúde está em desenvolvimento pela Paramount+, intitulado “No Escape From Now”. Não há data de lançamento ainda.
