O Telefone Preto

O Telefone Preto: o terror competente de Scott Derrickson

O Telefone Preto, novo terror/thriller de Scott Derrickson (Doutor Estranho) chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de julho, e desde já, tem minha total recomendação. Não hesite em desfrutar de 1h43 de um daqueles filmes que, pode não ter toda a badalação de uma Disney/Warner ou Marvel Studios, mas que tem um conteúdo pra lá de competente em sua proposta. Um terror que nos conduz por bons personagens, boa história e bons sustos. O Telefone Preto é aquela boa sessão que não precisa de uma grande campanha de marketing para ser colocado entre algumas das melhores sessões do ano até agora.

Com Derrickson na direção e dividindo novamente o roteiro com C. Robert Cargill (A Entidade e Doutor Estranho), vemos a história original de Joe Hill (a.k.a. filho de Stephen King) ser adaptada com todos os toques que um filme que se passa nos meados dos anos 70 precisa ter. Embora ele emule muito do que o próprio Stephen King sempre fez, nos colocando na vida de um jovem Finney (Mason Themes) e sua irmã Gwen (Madeleine McGraw), usando o recurso de fisgar leitores (ou espectadores) pela inocência das crianças e suas presenças carismáticas, fica difícil não se identificar ou se sensibilizar pelos jovens.

Derrickson precisa de pouco tempo de tela para apresentar o que é preciso: dois bons protagonistas – sério, essas crianças são grandes achados, principalmente Madeleine -, seus dramas pessoais, o pai alcóolatra, o bullying na escola, e uma cidade pequena, tal qual Hawkins em Stranger Things, onde crianças podem ir e vir tranquilamente sem qualquer tipo de preocupação (opa, não é bem assim), e a polícia, que, de alguma forma, peca em seu serviço. A apresentação da trama ainda simula uma abertura de série de TV, tal qual a imersão nessa década merece. E, sim, temos nosso vilão principal, vivido novamente pelo excelente Ethan Hawke (Cavaleiro da Lua).

O telefone preto crianças
Dois grandes achados: Finney Shaw (Mason Thames) e Gwen Shaw (Madeleine McGraw) são os destaques de O Telefone Preto.

Com o caldeirão efervescendo com protagonistas, contexto e trilha sonora, vemos que a cidade anda “preocupada” com o sumiço de várias crianças. O sádico sequestrador, como a marca de todo grande filme de terror, tem sua máscara icônica, que aqui, não é só um mero adereço, pois tem uma característica que a destoa do clichê do assassino mascarado. Ela, na verdade, trabalha em prol da atuação de Ethan Hawke, sendo usada com uma criatividade extra, com diferentes formações e variações.

E como toda boa adaptação de Stephen King, e agora Joe Hill, o filme acerta nos detalhes, o que faz toda a diferença. E como herdeiro de King, não estamos livres dos bons toques sobrenaturais. Aqui, talvez ele não seja a parte mais forte do enredo, mas é o suficiente para nos guiar na jornada de Finney, e complementada por Gwen, embora seja o menino quem veremos em maus lençóis a partir de seu sequestro. Enquanto ele desfila competência como protagonista, sua irmã Gwen é uma coadjuvante de peso, roubando a cena com pequenos alívios cômicos, e uma força acima do normal. 

Finney (Mason Thames) em O Telefone Preto
Vance Hopper (Brady Hepner) e Finney Shaw (Mason Thames) em um dos momentos marcantes de O Telefone Preto.

Em cada um dos irmãos temos rápidas pinceladas de camadas interessantes e que não são panfletárias. Os recados estão lá, para quem quiser entender. Já no conjunto de câmeras, armadilhas e jump scares, temos um equilíbrio bem elaborado por roteiro e direção, assim como poucos e eficientes efeitos visuais. Tudo jogando a favor e fazendo com que você saia da sessão com a melhor das impressões. No meio de tantas produções que se vendem como “o novo maior filme de terror”, O Telefone Preto é o simples bem feito. Direto ao ponto e com tudo que precisa para divertir, assustar e nos conquistar ao final. 

A Vigília Recomenda!

Veredito da Vigilia

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