Uncategorized

Natal Amargo, novo filme de Almodóvar, usa metalinguagem para criar uma autoficção

Conhecido por seus melodramas, suas cores vibrantes e personagens femininas marcantes, Pedro Almodóvar chega aos cinemas novamente. Com “Natal Amargo”, o diretor conta duas histórias paralelas, que convergem, de alguma maneira.

Em 2004, Elsa (Bárbara Lennie) está tentando lidar com o luto de ter perdido a sua mãe na época de natal. Mergulhando no trabalho para não pensar, ela é aconselhada a tirar um tempo e viajar. Já em 2026, Raúl Durán (Leonardo Sbaraglia), escreve seu novo roteiro, com muita dificuldade de separar o que é realidade e o que é ficção.

Talvez o título sugira que você verá um filme natalino, com direito a Papai Noel, árvores, duendes, músicas clássicas, neve e um final digno de um “milagre natalino”. Mas “Natal Amargo” não é nada disso.

Encarado apenas como um feriado, o adjetivo “amargo” e a data de estreia (no meio do ano e não em meses que antecedem a celebração) são os indícios que precisamos para entender que para os protagonistas, o Natal não tem nada.

Natal se tornou um momento de luto e o apagamento da data no filme é muito significativa. As personagens não querem passar por esse evento culturalmente alegre. Se esforçam para esquecer, inclusive, a época do ano que estão vivendo.

Como já havia aparecido em “O Quarto ao Lado”, o luto retorna e se torna muito importante nessa história. Mas, em comparação ao filme anterior, esse pode ser considerado mais irregular. Ou mais inventivo?

As histórias paralelas, que vão tecendo a trama, se encontram em uma metalinguagem interessante. E faz questionar o quanto dos autores (e das pessoas que os permeiam) têm em cada uma das obras criadas. E refletir, também, no quanto impactam na vida da pessoa retratada.

“Natal Amargo” não entraria numa lista minha de “Melhores Filmes de Almodóvar”, mas é um filme digno de Almodóvar, que decidiu olhar para si, para sua própria história (de uma forma diferente que fez em “Dor e Glória”), de forma madura.

Vale a ida ao cinema, como sempre.

Veredito da Vigilia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *