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Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi | Crítica

Prepare-se para muita emoção. Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi é um daqueles filmes que te fazem sair da sala de cinema sem conseguir digerir exatamente o que foi assistido nos seus 134 minutos.

Ambientado no final da Segunda Guerra Mundial, o longa baseado no livro de Hillary Jordan conta a história pela perspectiva de vários personagens. A narrativa é construída de acordo com os sentimentos e percepções de cada um. Vemos uma moça branca virgem até os 31 que casou com um homem bruto, esperando encontrar liberdade. Um jovem branco sonhador e sedutor que precisa congelar sua vida para ir para a guerra. Um fazendeiro branco ludibriado, que vai parar com a família no meio do lodo. Um idoso racista que tem ódio de negros e – SPOILER – se torna o maior vilão da história. Um senhor negro solícito, amoroso com a família, que trabalha com agricultura. Uma mãe negra amorosa e dedicada, que mostra que os filhos podem ir mais longe. Um jovem negro que vai e volta da guerra, tornando-se o orgulho da família. Duas famílias que moram no mesmo lugar, mas com uma diferença absurda entre elas: uma passa o tempo todo com medo e a outra não. Pronto. Esses são os componentes para um drama forte, principalmente em seu desfecho.

Talvez a maior marca de Mudbound não seja nenhuma das suas quatro indicações ao Oscar (a maioria por quesitos técnicos). A força feminina, a diferença de tratamento entre os personagens, o ódio à uma raça, os horrores da Ku Klux Klan, o amor incondicional à família, o perdão e a vontade de mudar. Tudo isto está presente no longa assinado pela diretora Dee Rees. Todos fatores que se sobressaem às avaliações indicadas pela Academia. Mary J. Blige, intérprete de Florence, uma das personagens mais fortes de todo o filme, está também, merecidamente indicada ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. 

A família chefiada por Florence e Ronsel (Jason Mitchell) demonstra todo amor e dedicação aos filhos, principalmente ao guerrilheiro Hap (Rob Morgan), o maior orgulho de todos. Eles são sorridentes, religiosos, trabalhadores, educados e sábios. Muito diferente dos vizinhos que moram logo ao lado. Pra lá da cerca, vemos a forte presença de Laura (Carey Mulligan) para segurar um casamento (que tem tudo para desabar) com Henry (Jason Clarke), e, ao mesmo tempo conviver com o sentimento de um amor impossível com o cunhado, o piloto de guerra Jamie (Garrett Hedlund). Além disso, ela precisa aguentar o racista e desagradável sogro Pappy (Jonathan Banks). Quando Jamie e Hap voltam da guerra, começamos a perceber, de forma escancarada, o preconceito da cidade. Enquanto Jamie é bem tratado em todos os lugares, Hap é convidado a se retirar, pela porta dos fundos, bem diferente do que estava acostumado (ironicamente) na Alemanha. São tantas semelhanças e tantas diferenças entre as duas famílias, que uma amizade esperada entre Jamie e Hap nos surpreende, com um acontecimento trágico e absurdamente triste. Daqueles momentos em que o cinema cumpre seu papel de reflexão e contextualização histórica, que fazem os fatos que nunca vivemos serem trazidos à tona e mexerem conosco.

Indicada ao Oscar de Fotografia, Rachel Morrison, a primeira diretora que irá concorrer ao prêmio, merece todas as honras, realmente. Que filme, que fotografia. Rachel também assina a fotografia de Pantera Negra. Que currículo, não é mesmo? O filme ainda concorre nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original, por Mighty River.

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi estreia em 15 de fevereiro de 2018. Tenho a absoluta certeza de que você precisa assistir esse filme. E já aviso de antemão: ele vai mexer com você.

 

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