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Luta por Justiça: o combo completo de um filme de tribunal | Crítica

Saudades de filmes de tribunal ao estilo Tempo de Matar (Joel Schumacher), Questão de Honra (Rob Reiner) ou mesmo Hurricane, o Furacão (Norman Jewison)? Então a crítica hoje é especial. Luta Por Justiça (Just Mercy) é o clássico combo completo: o trabalhador, negro, pobre do interior do Alabama, é injustamente acusado de um assassinato brutal em sua comunidade. Na ânsia da Polícia em “resolver” o crime, o rapaz é preso e passa um bom tempo injustamente na prisão. Faltou alguma coisa? Ah, é claro, o ingrediente que transforma tudo em um processo mais importante de imersão dentro do cinema: é tudo baseado em não uma, mas várias histórias reais. Pode ficar mais interessante? Pode. O elenco conta com Michael B. Jordan (Pantera Negra), Jamie Foxx (Em Ritmo de Fuga), Brie Larson (Capitã Marvel) e Tim Blake Nelson (Watchmen).

O filme é dirigido por Destin Daniel Cretton, que recentemente comandou a adaptação de O Castelo de Vidro, e agora volta em mais uma obra baseada em um livro. E novamente, o livro é escrito pelo próprio protagonista, desta vez, Bryan Stevenson. Aos fãs de histórias em quadrinhos, vale ficar atento, é Cretton que vai dirigir a adaptação de Mestre do Kung-Fu e a lenda dos 10 Anéis (Shang-Chi and The Legend of the Ten Rings), o herói oriental da Marvel. Já aos fãs de Stevenson, vale ressaltar que ele aparece em várias obras do tema, como no documentário indicado ao Oscar “A 13ª Emenda”, de Ava Duvernay. Basicamente os ingredientes e atrações são vários. Mas vamos ao filme.

Michael B. Jordan e Jamie Foxx com as costumeiras competências em frente às câmeras

Cretton comanda o típico filme de tribunal, sem se perder na própria história. Acredite, ela é cheia de reviravoltas e personagens. E apesar da violência de alguns crimes envolvidos e de alguns procedimentos como a pena de morte e a cadeira elétrica, ele se foca com classe apenas na história, sem impactar por um viés que pudesse soar forçado. Nada de violência gratuita. Até porque, poucas coisas podem ser tão violentas quanto o caso em que um homem e toda sua família pagam por um crime que não cometeram. A sensação de injustiça e de que é impossível lutar contra um sistema corrompido pelos homens brancos pega forte em muitos momentos. Mérito da narrativa, e infelizmente, da história real. O nó no seu estômago também será real.

Jordan e Brie Larson: A dupla incansável na busca pela justiça

Na área do elenco, o jogo é jogado. O nível dos atores envolvidos é inquestionável, e seria chover no molhado falar da competência de Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Brie Larson e Tim Blake Nelson, entre outros. Eles entregam o necessário. Jordan com sua imposição de advogado jovem e promissor, Brie mais de lado, mas forte em seus discursos de justiça, Foxx como o grande injustiçado e amargurado, e Tim Blake Nelson fazendo o que faz de melhor: um caipira do interior do Alabama transtornado por suas escolhas erradas, mesmo que forçadas por outros caipiras preconceituosos e que, por algum motivo, acreditavam que a mentira seria a base de sustentação para uma pequena sociedade viver em harmonia. Vale ressaltar ainda a presença de Michael Harding, como o xerife Tate. Impossível não pegar raiva de seu papel (sinal de ótimo desempenho). E também do promotor Tommy Chapman, vivido por Rafe Spall.

Rafe Spall vai fazer você passar muita raiva

Luta Por Justiça, apesar de não trazer grandes revoluções ao gênero ou ao conceito de filmes de tribunal, faz um papel importante para a sociedade de hoje, que ainda persiste e até por vezes parece intensificar, situações de racismo. É inconcebível, mas tão real quanto a história aqui contada. Além disso, coloca o dedo na ferida de várias formas e questiona com dados estarrecedores algumas práticas penais. Você irá se surpreender.

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