Lobisomem na noite

‘Lobisomem na Noite’ abre novos caminhos para a Marvel Studios

Longe de ser um novo marco dentro da Marvel Studios ou mesmo um arrasa-quarteirões, Lobisomem na Noite (Werewolf by Night) que estreia na sexta-feira dia 7 de outubro, no catálogo da Disney+, é diferente. E isso, nessa altura do campeonato, é uma excelente notícia dentro do já saturado Universo Cinemático da Marvel (MCU). O longa – a primeira experiência do famoso autor de trilhas sonoras Michael Giacchino (The Batman) como diretor – abre novos caminhos e um leque quase inimaginável de personagens que podem ser explorados desde quando Homem de Ferro começou a organizar o tabuleiro lá em 2008. Em um episódio de 55 minutos, contido e sem qualquer pretensão de emular as últimas produções da Casa das Ideias nos cinemas, Lobisomem na Noite é uma divertida brincadeira de Halloween.

A trama que segura o telefilme especial já coloca os fãs da Marvel Studios em um lugar confortável com seus créditos especiais de abertura e uma rápida menção aos heróis, mais precisamente, os Vingadores. Com uma voz em off apresentando o conceito do que está por vir, entramos em um mundo em preto e branco que homenageia o cinema de terror dos anos 30 e 40, onde o jogo de luzes e o contraste entre as duas cores dão os rumos do que teremos pela frente.

Lobisomem na Noite não é uma megaprodução, e nunca se vendeu como tal, e isso, como sabemos, dentro do MCU é um grande alento, tal qual suas últimas séries mais contidas, como Gavião Arqueiro, e até mesmo Ms. Marvel. Mas é importante salientar, não espere grandes cliffhangers. Nem ao menos temos a clássica cena pós-créditos. O Especial de Halloween é tão somente uma história que, poderá (saberemos no futuro) ter (ou não) alguma conexão mais evidente com tudo que já vimos nos 14 anos de MCU. Dê o play sabendo que é uma história (pequena) com início, meio e fim.

Laura Donnelly tem importante participação como Elsa Bloodstone

Com isso, a trama é direta e reta. Somos entregues a uma reunião secreta de caçadores de monstros no templo de Ulysses Bloodstone, que acaba de morrer. Para herdar a “pedra de sangue”, uma relíquia misteriosa, eles terão que encarar uma competição mortal. Além de se enfrentarem, eles vão encarar ainda uma poderosa criatura (que, spoiler dos trailers, é o Homem-Coisa). E lá estarão Jack Russel (Gael Garcia Bernal, o nosso próprio Lobisomem), Elsa Bloodstone (Laura Donnelly), herdeira de Ulysses, mas que guarda sérios ressentimentos da família, e Verussa Bloodstone (Harriet Sansom Harris), comandando a “grande caçada”.

Seguindo a ideia do cinema “retrô”, é fácil perceber que o filme todo foi feito dentro de estúdios, com poucos cenários ‘palpáveis’ e muito uso de fundo verde. E dentro desta proposta, isso não chega a ser incômodo. Giacchino consegue recriar essa atmosfera antiga com luz e sombras, em momentos que são belas homenagens à história do gênero. Mesmo assim, Lobisomem na Noite não terá uma cena que seja algo tão memorável. A sua estreia é consistente e competente. E como não poderia deixar de ser, o uso da trilha sonora é também um de seus fortes. Vale lembrar: Lobisomem foi apresentado nos quadrinhos em “Marvel Spotlight” #2, em fevereiro de 1972.

Lobisomem na Noite Harriet Sansom Harris
Harriet Sansom Harris tem momentos marcantes como Verussa Bloodstone no especial Lobisomem na Noite

O elenco todo vai bem. Bernal e suas feições funcionam perfeitamente, assim como a maquiagem que vai nos apresentar a besta que habita dentro dele (mais um grande ponto a favor). O CGI pesado fica somente amparado no Homem-Coisa, mas seu uso está excelente. Nem parece que a Marvel está entregando uma péssima qualidade na personagem principal de Mulher-Hulk. Orbitando Jack Russel, temos duas excelentes atrizes. Laura Donnelly (The Nevers, Outlander) e a premiada Harriet Sansom Harris (Hacks). Essa última, teatral e expressiva na medida certa.

O resultado final de Lobisomem na Noite é plenamente satisfatório, e claro, dá aquele gostinho de quero mais. Dentro da Marvel Studios, ele é a porta para novos caminhos que podem dar um importante suspiro nas produções comandadas por Kevin Feige. Mais um ponto para a Casa das Ideias.

Veredito da Vigilia

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