James Franco e Bryan Cranston seguram a comédia “Tinha que ser ele?”

O universo das comédias baseadas nas conturbadas relações entre sogro e genro ganhou mais um volume para nossas coleções. Tinha Que Ser Ele? (Why Him?) é aquela típica Sessão da Tarde onde a ordem é não ter muita responsabilidade. Apenas entregar uma história que vai nos fazer rir e passar o tempo. E para isso, a escolha dos atores principais foi certeira: de um lado James Franco é Laird Mayhew, o típico namorado que se quer evitar para uma filha tão bonita e competente; do outro temos Bryan Cranston (que veremos em Power Rangers) na pele de Ned Fleming, um clássico pai de família, muito preocupado com os filhos, mas um tanto desatualizado. Eles antagonizam e ancoram o filme, sendo também os responsáveis pelas melhores cenas. As enrolações de Cranston até nos lembram um pouco do que já vimos em Breaking Bad. Mas mesmo as boas participações das estrelas do filme não seguram o pique.

O filme começa muito bem, principalmente pelo embate sogro (primitivo) e genro (milionário da indústria de games, tarado e totalmente incrustado na nova geração). Afinal, Ned não esperava conhecer o namorado da filha Samantha (Zoey Deutch) por uma chamada de vídeo onde ele já entra tirando a roupa. As coisas vão piorando para Ned ao seguir uma viagem de natal para encontrar a filha que estuda em Stanford, na Califórnia. Lá ele conhece a mansão do genro e todas as bizarrices que o dinheiro pode comprar. O exagerado Laird faz de tudo para agradar, mas seu linguajar e sua expansividade vão sempre jogar contra, e aqui uma dica de primeiro encontro: não tatue a família de sua namorada nas costas imaginando que isso vá agradar a todos. Desde a apresentação desastrosa, as coisas só vão piorando, embora a sogra e o pequeno cunhado pareçam curtir tudo em sua volta.

A típica família feliz. Foto: Scott Garfield/Divulgação

A rixa segue e vai tomando cada vez mais forma, mas o ápice chega muito cedo. Depois dele, vamos cumprindo tabela sem grandes surpresas na trama. Essas ficam somente com o que o dinheiro de Leird pode fazer. Entre eles Justine, a assistente eletrônica (tipo o Jarvis dos filmes do Homem de Ferro/Vingadores) com a voz de Kaley Cuoco de The Big Bang Theory (TBBT). Dela também saem boas piadas, inclusive com ela mesma. De resto também temos a clássica fórmula dos filmes de comédia: a mãe mais sensata, o filho que vai na onda dos outros, o estrangeiro pra fazer – mesmo que de leve – aquelas piadas sobre racismo -, e as participações especiais. A de alguns cabeças do Vale do Silício, e mais pro fim Gene Simmons e Paul Stanley do Kiss, afinal essa é a banda que Ned e a esposa mais gostam. Nem sequer o final é surpreendente. Mas vá lá, a preocupação também não era essa.

Onde estão os modos nesta mesa?

O diretor John Hamburg já nos entregou produtos melhores, como Quero Ficar com Polly, e o próprio roteiro de Entrando Numa Fria. Parece que a mão foi cansando, na carreira e também em Tinha Que Ser Ele? Um filme bem médio, eu diria.

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