Fome dos Mortos | Crítica

Essa é pra quem gosta de zumbis e não tem medo de carne podre e desgraceiras. Fome dos Mortos é uma coletânea em quadrinhos que reúne artistas brasileiros com histórias envolvendo o clássico Apocalipse Zumbi. Entre tramas que envolvem família, política, sobrenatural e a influência do mundo digital para os jovens, temos críticas afiadas à sociedade atual, passando desde as florestas amazônicas até as selvas urbanas. A organização da coletânea foi feita por Raphael Fernandes e agrupa sete histórias, são elas: Prisão Zumbi (Airton Marinho e Doc Goose), Anhangá (Lillo Parra e Val Deir Rocha), Marcha Fúnebre (Raphael Fernandes e Felipe Coutinho), Boca de Lobo (Jujú Araújo e Doug Lira), O presente de Camila (Alex Mir e Rafa Louzada), Revolução é meu nome! (Tiago P. Zanetic e Victor Tchaba) e tudo termina com Passarela da Fome (Raphael Fernandes e MJ Macedo). A publicação é da Editora Draco e a Vigília garimpou a edição na CCXP Tour Nordeste.

Primeiro temos que saudar. A ideia de coletânea é um viés bem empregado para aquelas histórias curtas, que muitas vezes não saem dos estúdios ou das gavetas dos quadrinistas. Assim, além de fortalecer a cena nacional, os envolvidos ainda conseguem publicar aquele material que talvez não teria tanto impacto ou nem sustentaria uma HQ completa ou série. Além disso, vamos combinar, o mundo Zumbi é sempre um atrativo, principalmente quando ele vem carregado de crítica social e até política, como nos contos de Fome dos Mortos. Tudo muito pautado na realidade tupiniquim.

Prisão Zumbi é uma clara ideia de mostrar que no Brasil, um dos grandes problemas no combate ao crime é a própria prisão. Tudo isso com um bom tempero de humor. Depois temos Anhangá, que aborda como seria um contágio zumbi em uma aldeia indígena, com um claro revide da natureza aos exploradores. Marcha Fúnebre é o clássico terror claustrofóbico, que se passa em uma casa. Boca de Lobo envolve o sobrenatural. O presente de Camila remonta o sentimento guardado no humano, mesmo que tudo esteja perdido em um Apocalipse Zumbi. Revolução é Meu Nome traz a pegada política e por fim, Passarela da Fome é uma crítica carnal à sociedade do espetáculo e midiática que faz a cabeça de muitos jovens e adolescentes por aí.

Rapha Louzada autografou a nossa edição na CCXP Tour Nordeste

Não dá pra dar muitos detalhes ou spoilers, mas dá pra dizer que é uma boa produção, um impresso de qualidade e bem posicionado na crítica, com destaque ainda para os diferentes traços dos artistas. Tudo sempre em preto e branco, dando o tom de terror. Cada episódio daria uma boa adaptação para a TV, na linha de “Os Contos da Cripta”. A Vigília indica a leitura!

Ficha técnica:

Fome dos Mortos

Coletânea Zumbi

Vários Artistas

Editora Draco

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