Fenômeno na Netflix, Guerreiras do K-Pop fala de aceitação e emociona os fãs da cultura sul-coreana
Mesmo que você não consuma a cultura pop sul-coreana, é impossível não ter se deparado com os termos “Dorama”, “K-Pop” e o famoso coraçãozinho feito com o polegar e o indicador nas fotos de algum artista famoso vindo dessa parte da Ásia. E o mais novo fenômeno relacionado a esse assunto que furou a bolha, foi o filme “As Guerreiras do K-Pop”, animação que estreou no catálogo da Netflix no dia 23 de agosto e em menos de um mês já se tornou o filme mais visto da história desse streaming.
Desenvolvido pela Sony Animation Studios (Homem-Aranha No Aranhaverso), mas produzido e dublado por artistas coreano-americanos, o filme da diretora canadense, Maggie Kang, conta a história das HUNTR/X, grupo de K-Pop que concilia a agenda de shows lotados com o extermínio de demônios que vem espalhar o caos em nosso mundo. A equipe formada por Rumi (Arden Cho), Mira (May Hong) e Zoey (Jing-young Yoo), são o mais recente trio de protetoras da Terra, que precisam estar em sintonia para manter o escudo protetor contra os tais invasores. Para isso, elas usam o amor dos fãs para gerar o tal escudo, chamado de “Honmoon”.
Tudo parecia estar dando certo para as nossas heroínas, até que o vilão do submundo, Gwi-ma, envia um grupo de demônios disfarçados de cantores de K-Pop para rivalizar a atenção dos fãs com as HUNTR/X. Os Saja Boys, são um quinteto tão carismáticos quanto as protagonistas, fazendo você quase torcer por esses “vilões”, assim que escutar a primeira canção dos caras.
Misturando cenas clichês de doramas, filmes de ação asiáticos e músicas que lembram os artistas coreanos favoritos de qualquer um que já foi atingido em cheio por esse fenômeno asiático, Guerreiras do K-Pop tem espaço para discutir assuntos relevantes. Destaque para o drama vivido pela personagem Rumi, que tem problemas em aceitar quem ela realmente é e de como isso atrapalha o seu convívio com as suas colegas de equipe. O filme também abre outras discussões, tais como o lado nocivo da competição acima de tudo, a saúde mental da indústria musical, que muitas vezes exige 101% dos artistas e até mesmo o “efeito placebo”, demonstrando que na maioria dos casos, o maior dos nossos inimigos são criados pelo nosso psicológico.

Minha única ressalva é em relação a personagem Celine (Yunjin Kim, de Lost) mãe adotiva de Rumi. Ela é uma ex-caçadora, dando entender que foi uma espécie de mentora das guerreiras. Na história, a participação dela ficou meio acelerada, com pouco desenvolvimento. O filme em si é algo muito no presente, explicando de maneira breve acontecimentos passados, que são pouco aprofundados. Falando ainda da atriz, outro personagem que também figurou em Lost, é Daniel Dae Kim, que aqui dá voz ao médico procurado para curar a garganta de Rumi.

Mesmo que você não goste de doramas, musicais, cultura pop sul-coreana ou animação, Guerreiras do K-Pop vai acabar te cativando por algum aspecto. Acredito que esse filme está fazendo muito mais sucesso com o público adulto do que com o infantil. Outra certeza é a de que você vai ficar cantarolando as músicas dessa produção por muito tempo.
Ah, uma versão especial do filme foi lançada nos cinemas dos Estados Unidos, ficando em primeiro lugar na bilheteria logo que estreou.
