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Fale Com As Abelhas é um filme feminino de amor e julgamento

Baseado no romance homônimo de Fiona Shaw, “Fale Com As Abelhas” é protagonizado por Anna Paquin e Holliday Granger e conta uma história de época, mas muito atual. Homossexualidade, patriarcado, preconceito, violência física e violência de gênero são alguns dos temas abordados. Mas não pense que se trata de um filme totalmente denso ou pesado. Fale Com As Abelhas fala desses assuntos com a delicadeza de um romance e, por vezes, até de forma infantil, sob a ótica do narrador. 

Em Fale Com As Abelhas conhecemos a história de Charlie (Gregor Selkirk), filho de Lydia (Holliday Granger), narrada por ele mesmo. Depois do pai abandonar o menino e sua mãe, a vida dos dois começa a passar por dificuldades. Ao mesmo tempo, chega na cidade a médica Jean Markham (Anna Paquin), para viver na antiga casa de sua família e ocupar o lugar do seu pai, o falecido médico da cidade. É Charlie e seu entusiasmo por abelhas que faz o caminho das duas se cruzarem, afinal, Jean é apicultora e Charlie é apaixonado por abelhas.

Ambientado na Escócia de 1952, o filme conta com ótimas atuações e diálogos potentes. O destaque fica por conta do casal protagonista, que constrói duas personagens envolventes, que crescem nos olhares, nos toques e na troca entre elas. A atuação da dupla é excelente.

Apesar de ser construído de forma interessante, o filme deixa algumas lacunas. A montagem faz cortes secos e o roteiro parece correr, principalmente, na construção da relação de Lydia e Jean. Sem delongas, elas se envolvem numa paixão afobada, que poderia ser construída aos poucos. A relação entre elas perde um pouco do encanto quando vemos que ele acontece para conduzir o restante do filme e não para emocionar o espectador.

Charlie (Gregor Selkirk), filho de Lydia (Holliday Granger), narra a história da mãe.
Charlie é o narrador da história de sua mãe

Fale com as Abelhas também poderia ser mais atrativo se não fosse tão doloroso. Retratar relacionamento homoafetivo nos anos 1950 é realmente uma quebra de tabu. Afinal, em um mundo (e principalmente país) homofóbico, todas as representações LGBTQIA+ são de extrema importância. Porém, o filme peca em mostrar esse relacionamento como algo triste e doloroso, como se as protagonistas estivessem fazendo algo errado, não conversando nem com Charlie sobre o assunto e deixando o menino descobrir de uma forma equivocada. Mas não podemos minimizar o relacionamento e a resistência das duas, que poderia ser explorado de uma forma mais atraente. Mas, é inegável que o filme seja representativo e importante.

O filme ainda traz a dimensão da opressão que o patriarcado e o machismo impõe sobre as mulheres, principalmente em uma cidade pequena, onde a fofoca e os julgamentos são tão presentes. Apesar de contar com poucos homens no elenco, a presença masculina, a força da igreja e os preconceitos estão todos ali.

Fale Com As Abelhas é um ótimo filme. Apesar das derrapadas do roteiro e de alguns exageros estilo romance de livros, a representatividade, as atuações e os diálogos são muito acertados e nos entregam um bom filme.

Veredito da Vigilia

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