Entrega total em Até o último homem

Mel Gibson voltou a cadeira de diretor depois de 10 anos do já quase esquecido Apocalypto (que é um bom filme, coloque na sua lista). E com sua volta, temos um filme de entrega total, seja no roteiro, na história real, ou ainda na interpretação do esforçado Andrew Garfield (sim, o Peter Parker dos lamentáveis “O Espetacular Homem-Aranha 1 e 2”, sorry Garfield, sou mais Tobey Maguire e Tom Holland). Em Até o Último Homem, Gibson retoma sua carreira, que ultimamente era mais comentada pela sua vida pessoal, e volta aos holofotes, concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, além de prêmios técnicos como Edição e Edição de Som e Mixagem. Mas é na indicação de Melhor Ator que mora a maior chance para a obra.

Como já disse, Até o Último Homem, é um filme de entrega. Baseado na história de Desmond Doss, que se alistou para ajudar o país na Segunda Guerra Mundial. Mas ao contrário dos demais colegas, ele foi com o objetivo de não pegar em armas, a intenção era ajudar a salvar vidas. Contraditório, mas marcante. E por isso, ele sofreu tanto quanto na guerra, mesmo antes de pisar em Hicksaw Ridge (nome original do filme e local onde se passou sua maior participação durante os confrontos). A obra é baseada nas memórias da esposa de Doss, Frances M. Doss, que gerou o livro Soldado Desarmado.

O mais improvável dos heróis teve uma infância marcada por algumas tragédias, o que ajudaram a forjar seu caráter protetivo. A parte familiar é um ponto a destacar no filme. Seu pai Tom Doss, é interpretado pelo também ótimo Hugo Weaving (V de Vingança, Matrix). Mais tarde, quando conheceu sua primeira esposa, ficou claro que ele queria ser médico. Vivendo numa pacata cidade, no entanto, ele surpreende a então pretendente dizendo que vai se alistar. O que seria uma vida tranquila tomou um rumo completamente diferente.

Já nas forças armadas, o recruta que se recusa a aprender a usar um rifle sofre com todo o preconceito e bullying militar. Afinal, se ele não é capaz de fazer mal a alguém, o que ele vai fazer no campo de guerra, onde a morte é o objetivo principal? O elenco de apoio surge (entre eles Sam Worthington e um diferente Vince Vaughn) e a violência contra Doss aumenta. Mas Doss é resiliente. Resiste, se entrega, e Garfield se destaca. E se você acha irritante a interpretação, é sinal que ele está sendo realmente Desmond Doss.

O ápice vem quando mesmo perdendo o próprio casamento, ele mostra que sua consciência tranquila, sua entrega e persistência (misturada com o orgulho e teimosia) valem a pena. Ele precisou passar pela Corte para simplesmente ir para a Guerra. Parece mentira, mas aconteceu. É no campo de Guerra que ele cumpre sua tarefa, consolidando uma das mais incríveis histórias de resgate. Foram 75 soldados feridos em aproximadamente cinco horas. Pessoas que ficariam expostas a própria sorte. E nesta parte que voltamos a ver a pegada realista do diretor Gibson, que assim como em Apocalypto e A Paixão de Cristo, não tem problemas em mostrar dor, sangue e morte com a crueza da realidade.

Ao final de sua cruzada, Desmond Doss é finalmente reconhecido. Sua proeza entrou para a história, e lhe rendeu ainda uma Medalha de Honra. Tudo isso, pela sua entrega. Não sabemos se o esforço de Doss (e Garfield) pode realmente render também um troféu no Oscar, mas a experiência vale muito. Gibson e Garfield estão de parabéns.

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