Batman: A Piada Mortal ganha sua versão animada | Crítica

Conferimos a sessão exclusiva do longa de animação que traz o clássico de Alan Moore e Brian Bolland para as telonas.

Antes de mais nada, não acuse ninguém de spoilers. Batman: A Piada Mortal é um clássico dos quadrinhos lançado em 1988 e já ganhou diversas edições no Brasil. A última – recomendamos – é uma edição de luxo de 2011 com extras importantes das histórias dos personagens. Mas nem por isso a nova adaptação deixa de surpreender os fãs que já conhecem a história de longa data.

Ver a obra prima de Alan Moore (não creditado na tela) e Brian Bolland em um cinema foi uma experiência e tanto. Deu pra notar bem quem conhecia e quem não conhecia a história na plateia. A surpresa fica por conta do prólogo e do epílogo, que, polêmicas a parte, trazem uma calorosa relação do homem-morcego com a Batgirl. Alguns podem até ficar chocados com a situação, não escancarada, mas muito bem sugerida entre os dois. Talvez a maior controversa dessa cena do longa seja a relação dos dois parceiros, que geralmente é fraternal em seu cânone, e dessa vez ganhou status de +18. Dá pra notar bem que a intenção foi fazer o sofrimento de Bárbara, da família Gordon e do homem-morcego ficar ainda mais chocante para os recém-iniciados.

Outro ponto importante explorado nesse HQ/longa foi a origem do personagem Coringa. Foi possível resgatar os motivos e a forma como ele entrou para a vida do crime, além dos seus traumas. Com direito à frustrações profissionais, perdas de pessoas próximas e até acidentes de laboratório, vemos como surgiu um dos vilões mais conhecidos das histórias em quadrinhos.

A cena do tiro no quadril que Barbara é marcante, tal como na HQ. Fica a dúvida, ou novamente a sugestão, de um possível abuso quando Batman recebe a notícia que Batgirl foi encontrada desacordada e nua em seu apartamento, tese reforçada ainda quando Gordon transita pelo Trem do Terror rodeado de fotos da filha agonizante.

O parque de diversões é outro acontecimento à parte. Toda a loucura e a megalomania do Coringa é exibida. Atrações terríveis e loucas aparecem o tempo todo. Aqueles anjinhos endemoniados e bizarros dão medo. É aí que Gordon entra em cena e mostra que quem não está suscetível a enlouquecer não perde a cabeça nem nas situações que nos levam ao limite da lucidez, principalmente quando o comissário pede para que Batman pegue o criminoso e faça tudo dentro da lei.

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O longa mostra que A Piada Mortal é uma leitura tão necessária não só para quem gosta de Batman, mas para todos que gostam de quadrinhos. É um dos maiores confrontos entre os antagonistas, e claro, quem rouba a cena é o Coringa. É nele que estão as falas e as citações, flashbacks que nos fazem rever conceitos clássicos de bandidos e mocinhos. Afinal, quem é mais louco, o cruzado de capa preta ou o palhaço colorido? O que diferencia um do outro? Será mesmo só um dia ruim? Mais do que isso, a história traz raras oportunidades vistas nas HQs, entre elas a de poder reconhecer erros e voltar atrás, antes que o pior e quase inevitável aconteça.

Mesmo sabendo tudo o que vai acontecer no desfecho da história estamos diante de um clássico que se renova. Mas isso não impediu a frustração evidente da maioria dos que estavam na sala de cinema. Nada contra, mas o desfecho do primeiro pós-credito talvez poderia ter ficado de fora. Trocar o final – uma das cenas mais clássicas das HQs – pela volta de Bárbara ao trabalho destoou bastante. Essa seria a deixa para uma próxima produção?

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