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Super Mário Galaxy: O Filme é “menor” que o seu original, mas vale a pipoca

Depois de alcançar a glória em 2023 com seu primeiro longa em animação e uma arrecadação que superou 1,3 bilhão de dólares em todo o mundo, Super Mario Bros. já tinha como certa a sua continuação nos cinemas. Pois bem, três anos depois, voltamos ao mundo dos encanadores mais famosos dos games com Super Maria Galaxy: O Filme, que volta com força, mas perde o fôlego em comparação ao primeiro longa. O que antes era novidade, referências, atenção total do público (e dos fãs) com uma história divertida e contundente, agora deu lugar aquela continuação protocolar, que esquece um pouco mais do fator roteiro e foca muito mais em empilhar novos personagens em uma saga “maior”. A clássica missão de “expandir” o universo (criado pela Nintendo) e suas possibilidades.

A animação continua linda e cheia de cores, um prato cheio para explorar cenários e mundos com quase 40 anos de lastro desde a estreia de Mario e Luigi nos consoles (dos mais variados bits). É um compromisso (ou uma sessão) que provavelmente será ocupada por muitos pais que jogaram as primeiras versões e levarão a nova geração para curtir. Certamente não vão se decepcionar, mas a comparação com o filme inicial deixa Super Mario Galaxy em uma posição um tanto desconfortável, ainda que a dupla de diretores seja a mesma do filme anterior (Aaron Horvath e Michael Jelenic).

Nesta nova aventura, depois de salvar o Reino dos Cogumelos, Mario e seus amigos agora são levados a uma nova missão com óbvias novas ameaças e literalmente novas galáxias. O plot, portanto (ou no entanto), segue fiel aos jogos: salvar uma princesa raptada por um vilão escamoso. Se no primeiro tudo era encantamento e as apresentações foram pontos altos, agora, com tudo estabelecido, a escalada de situações desconhece todo e qualquer limite. E vamos lá, também não precisam de grandes explicações. Apenas sabemos que mocinhos devem salvar o dia (e outra princesa).

É nessa jornada toda, com todas as referências possíveis, que tradicionalmente as continuações perdem o fôlego. Menos elaboração de personagens e mais ação. Azar. E aqui, as coisas realmente se perdem … e quando menos esperamos, o longa nos joga mais um personagem que provavelmente será explorado como nova franquia. Azar. Ele vai aparecer do nada mesmo e entrar na trama. E segue o jogo. Azar. É claro que os pequenos talvez não liguem para toda essa pobreza de espírito. Mas falta aquele molho emocional. As piadas também nem sempre funcionam (eu contei apenas uma razoável no filme todo e foi a única que sobrou com meus dois filhos após a sessão). Jack Black (a voz de Bowser e presença marcante em quase todas as novas adaptações de games para as telonas) claramente teve muita liberdade no primeiro, com canções e momentos mais engraçados, mas agora, ficou tão reduzido quanto a sua (mini) prisão no castelo da princesa Peaches. Mais um ponto baixo do longa. E o azar agora é da produção.

Mario e a Princesa Peaches
Princesa Peaches (Anya Taylor-Joy, no original) e Mario (Chris Pratt, no original) enfrentam galáxias em Super Mario Galaxy dirigido por Aaron Horvath e Michael Jelenic.

O elenco de dubladores originais é absurdamente bom, porém, como sabemos, vai ser praticamente impossível encontrar uma sessão que não seja dublada. Por outro lado, também sabemos que a dublagem brasileira segue sendo uma das melhores em se tratando de animações. Nesse quesito, então, ficamos empatados.

Apesar de toda a simplicidade envolvida no longa – que foca muito mais na nova geração do que na geração que cresceu com os personagens – em meio a toda agitação e missões que nos levam para outras missões e outras missões, Super Mario Galaxy: O filme ainda nos reserva uma mini-moral que quase passa despercebida, mas os papais e mamães mais ligados certamente se sentirão afetados. É uma frase quase que aleatória, mas verdadeira, que vou me dar a liberdade de entregar aqui: “Com os filhos os dias são longos, mas os anos são curtos”.

Fez sentido pra você? Espero que sim, pois pra mim, fez valer o ingresso!

Veredito da Vigilia

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