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Honey, Não! tem ideia boa mas peca na repetição e no fetichismo

Uma detetive particular que descobre os principais mistérios da Califórnia e se envolve em uma trama de religião com um líder predador em um ambientação que mescla o futuro com o presente. A premissa tinha tudo para dar certo, mas Ethan Coen perde a mão em Honey, Não!, longa que estreia no dia 6 de novembro exclusivamente na rede Cinesystem.

Margaret Qualley (A Substância) é Honey, uma detetive ambiciosa e sem pudores (como o título sugere). Empenhada em satisfazer a curiosidade dos seus clientes, ela investiga tudo em uma cidade pequena em que todo mundo conhece todo mundo. Quando um acidente de carro acontece, a detetive vai tentar entender as circunstâncias estranhas do ocorrido e tudo aponta para a igreja do reverendo Drew Devlin (Chris Evans).

A partir daí, o longa começa a fazer uma sátira sobre os fanáticos religiosos e os trumpistas que no início até se mostra interessante, mas que vai se perdendo com as constantes repetições tanto de frases, bem como de ideias. As piadas constantes, os ônibus estampados. Tudo com uma sensação de “ih, de novo?”.

Em suas idas constantes à delegacia, ela conhece MG (Audrey Plaza) e, então, a parte mais delicada do filme inicia. Honey e MG se encontram em um bar e a sexualidade delas começa a ser explorada pelo filme. Na primeira interação, em público, elas já começam a praticar atos sexuais. Após isso, uma sequência quase interminável de sexo tórrido inicia, até terminar em Honey lavando brinquedos sexuais em uma sequência de imagens e ângulos que não agrega em nada no roteiro. Todas as cenas que envolvem a sexualidade de Honey são fetichistas. Inclusive, parece que o fato dela ser uma mulher lésbica, que não é respeitada por ninguém – e constantemente assediada pelo delegado da localidade – faz com que essa pauta seja incômoda. Se ela fosse uma mulher hétero, apareceria ela com brinquedos sexuais? Ou ela é apenas construída como depravada por ser uma mulher que se relaciona com outras mulheres?

Honey, Não! me lembrou até Os Mistérios de Miss Fisher em seu início, mas foi se perdendo na repetição e no fetichismo. Com toda certeza, a melhor sequência do longa é de abertura.

Veredito da Vigilia

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