Televisão

Gilberto Braga, autor de Vale Tudo e Celebridade, morre aos 75 anos

Durante anos, a obra de Gilberto Braga entrou na televisão de todos os brasileiros. Autor de novelas clássicas como Dancin’ Days (1978), Vale Tudo (1988, que fez grande sucesso quando entrou no catálogo da Globoplay) e Celebridade (2003), Braga tinha 75 anos e morreu na noite de terça-feira, dia 26 de outubro. Ele estava internado no Hospital Copa Star e sofria do Mal Alzheimer, e foi vítima de complicações por conta de uma infecção sistêmica. Gilberto era casado com Edgar Moura Brasil, decorador e seu companheiro por quase 50 anos.

Em 2008, Gilberto Brava venceu o Emmy Internacional de Melhor Telenovela por Paraíso Tropical, que está sendo reprisada no canal Viva. O autor fez sucesso com outras novelas, como Dono do Mundo, Corpo a Corpo e Anos Dourados.

Gilberto Braga nasceu no Rio de Janeiro no dia 1º de novembro de 1945. Cursou faculdade de Letras na PUC-RJ e começou a trabalhar dando aulas na Aliança Francesa.

Seu primeiro trabalho na Globo foi em 1972, com uma adaptação de ‘A Dama das Camélias’ para o programa ‘Caso Especial’, com direção de Walter Avancini. A história foi protagonizada por Glória Menezes. Depois, vieram alguns outros episódios para o ‘Caso Especial’. Um deles, especificamente, fez muito sucesso na época: ‘As Praias Desertas’, que tinha no elenco Dina Sfat, Yoná Magalhães e Juca de Oliveira.

A experiência de escrever uma novela veio em 1974. Sob o título ‘A Corrida do Ouro’, Gilberto assinou a trama ao lado de Lauro César Muniz e Janete Clair. Ele tinha apenas 29 anos e sua grande fonte de inspiração e formação foi Janete, como fazia questão de dizer em entrevistas que concedeu ao longo de sua carreira. Ele foi um de seus discípulos.

Seu primeiro grande sucesso, no entanto, foi ‘Escrava Isaura’, exibida em 1976. Um marco de nossa teledramaturgia. Gilberto assinou a adaptação que o tornou muitíssimo conhecido quando tinha apenas 31 anos. ‘Escrava Isaura’ é uma das obras mais vendidas e exibidas no mercado internacional.

Em 1977, ele escreveu ‘Dona Xepa’, que narrava a história de uma popular feirante, vivida por Yara Cortes. Exibida no horário das seis, a obra obteve o melhor desempenho de audiência da faixa até então. A estreia no chamado horário nobre, das 20h, foi em 1978, com ‘Dancin’ Days’ e a moda das meias Lurex e das discotecas. Sonia Braga despontava no papel principal – que tinha a personagem de Joana Fomm como antagonista. Em 1980, escreveu ‘Água Viva’, que contou com a coautoria de Manoel Carlos a partir do capítulo 57. Na novela ‘Brilhante’, de 1981, Gilberto teve a contribuição de Euclydes Marinho e de Leonor Bassères como colaboradores. O autor repetiu a parceria com Leonor em suas duas obras seguintes: ‘Louco Amor’ (1983) e ‘Corpo a Corpo (1984).

Gilberto escreveu em 1986 sua primeira minissérie, ‘Anos Dourados’, com direção de Roberto Talma. Tratava-se de uma história ambientada durante o governo JK. O casal protagonista foi vivido por Malu Mader e Cássio Gabus Mendes. Gilberto também assinou a produção musical da minissérie. Aliás, o autor nunca escondeu a sua ligação com o universo da música. Ele escolhia grande parte das trilhas sonoras de suas novelas, e os temas dos personagens muitas vezes serviam de trilha para Gilberto enquanto escrevia suas histórias.

A inesquecível ‘Vale Tudo’, em parceria com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, veio dois anos depois. Uma discussão sobre a ética no país, que costurava a história de uma mãe, papel de Regina Duarte, enganada pela própria filha, vivida por Gloria Pires. A novela fez sucesso e teve grande repercussão tanto na primeira exibição quanto nas reprises, a exemplo do que aconteceu há alguns anos no canal Viva. ‘Vale Tudo’ foi um marco da TV e criou enorme expectativa em sua reta final, com o mistério “quem matou Odete Roitman (Beatriz Segall)?”. As gravações foram feitas em total clima de sigilo e a identidade do assassino foi revelada só no último momento.

Em 1991, o autor voltou a escrever uma novela, novamente jogando luz em uma discussão sobre dignidade, cidadania e valores. ‘O Dono do Mundo’ teve a colaboração de Leonor Bassères, Ângela Carneiro e Ricardo Linhares, que assinou com Gilberto a coautoria de suas derradeiras obras.

‘Paraíso Tropical’ e ‘Insensato Coração’, exibidas em 2007 e 2011, respectivamente, foram escritas em parceria com Ricardo Linhares. Em 2012 Gilberto assinou a supervisão de ‘Lado a Lado’, novela das seis escrita por Claudia Lage e João Ximenes Braga, obra que trouxe para a Globo um Emmy Internacional.

A última novela de Gilberto Braga foi ‘Babilônia’, em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Exibida em 2015, ela foi dirigida por Dennis Carvalho, um parceiro e amigo com quem trabalhou desde 1988, em ‘Vale Tudo’. Desde então, Dennis se tornou habitual diretor dos trabalhos de Gilberto, comandando as equipes de ‘O Dono do Mundo’, ‘Celebridade’ e ‘Insensato Coração’.

Gilberto nunca escondeu que escrever para os vilões tinha um tempero especial. Talvez, por isso, somado ao seu estilo e talento ímpares, o autor colecione uma lista memorável de vilãs, como Odete Roitman e Maria de Fátima, vividas respectivamente por Beatriz Segall e Gloria Pires, em ‘Vale Tudo’. Aliás, Gloria fez parte do elenco de suas duas últimas tramas exibidas na Globo, como Norma, de ‘Insensato Coração’, e Beatriz, de ‘Babilônia’.

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