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“Cinco Tipos de Medo” investe nas conexões da violência urbana

Violência urbana é uma pauta recorrente em rodas de conversas e em noticiários. Todos os dias, sabemos de tiroteios, mortes e prisões que ocorrem no Brasil. Mas qual são as histórias dessas pessoas que sofreram, ou até mesmo, que cometeram esses crime? Essa é a provocação que o longa “Cinco Tipos de Medo”, assinado por Bruno Bini, trouxe ao público na última exibição da Mostra Competitiva de Longas brasileiros do 53º Festival de Gramado, no dia 21 de agosto.

Criador do curta-metragem “Três Tipos de Medo”, Bini merece ser reconhecido por sua inventividade. “Cinco Tipos de Medo” é um daqueles filmes que não estamos tão acostumados a ver no Brasil. Responsável pelo roteiro e pela montagem, o realizador nos oferece uma narrativa não-linear em que todas as peças de um quebra-cabeças violento vão se encaixando. Acelerado, o longa vai se tornando mais cru e escuro enquanto a violência vai se revelando nas diferentes formas.

Na trama, cinco vidas são impactadas pelo mesmo incidente. Mas, como a montagem nos proporciona, vemos onde tudo começou. Marlene (Bela Campos) é uma técnica de enfermagem que, com muita empatia, atende Murilo (João Vitor Silva). O rapaz está prestes a ser entubado, enquanto a mãe está hospitalizada, ambos com Covid-19. Na época das máscaras e da pandemia, o jovem violinista sai do coma e segue sua vida até que, um tempo depois, encontra Marlene novamente e uma chama se acende entre os dois.

Contudo, Marlene tem uma relação complicada com Sapinho (Xamã), um famoso traficante da comunidade em que ela vive com o irmão e a avó. Na história, ainda entra Luciana (Bárbara Colen), uma policial do Bope e o advogado Ivan (Rui Ricardo Dias). Dentro do tom, as atuações estão ótimas. Destaque, principalmente, para o ótimo João Vitor Silva.

João Vitor Silva brilha em Cinco Tipos de Medo

A fotografia, muitas vezes até escura demais, mostra que existem poucas alegrias em lugares dominados por facções e pela violência. A história de todas aquelas pessoas vão se desdobrando com pontas bem amaradas e, ao final, temos uma condução bem feita e finalizada. Em quesitos técnicos, realmente o excesso de escuridão incomoda. A trilha combina muito bem com as cenas de ação e casa com os momentos dramáticos. Parece tudo muito bem orquestrado por Bini, que exerceu bem os papéis que assumiu em sua criação.

“Cinco Tipos de Medo” se sobressai. A linguagem escolhida é bem executada a partir da montagem que, inclusive, felizmente justifica momentos que seriam quase injustificados. Esse pode ser considerado um “filmaço”, como gostamos de dizer.

Foto da capa: Edison Vara/Ag.Pressphoto

Veredito da Vigilia

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