A Natureza das Coisas Invisíveis fala de morte com delicadeza
Se pudesse definir “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo em apenas uma palavra seria “delicadeza”. A cineasta conseguiu de uma forma muito poética representar e falar sobre um grande tabu na sociedade, a morte.
O longa de estreia da diretora ousa (e acerta) ao colocar duas protagonistas mirins de universos diferentes para unirem as suas jornadas. Glória (Laura Brandão), é filha de Antônia (Larissa Mauro), uma enfermeira que, aparentemente sem rede de apoio, precisa levar a menina para o seu local de trabalho, um hospital. Lá, Glória conhece todos os pacientes internados, circula com facilidade e vai fazendo amizades. É o lugar, também, que ela é apresentada à morte.
Em mais um dia das férias frustradas de Glória, cruza em seu caminho Sofia (Serena), uma garotinha que, sozinha com a bisavó (Aline Marta Maia), precisou ligar para o Serviço de Emergência após uma queda da idosa. Sem com quem brincar e aguardando a chegada da mãe, vivida por Camila Márdila, Sofia encontra em Glória uma melhor amiga.
Ao dar alta para a senhora, Antônia e Glória acompanham a família de Sofia em alguns dias de férias no sítio. Ao assistir o longa, é impossível não pensar em “Cidade; Campo“, de Juliana Rojas. A cineasta que é responsável por “Boas Maneiras” foi consultora de roteiro e muito da sua cinematografia está ali.
A relação das meninas e com o tema principal, a morte, me fez lembrar, também, o longa da gaúcha Cristiane Oliveira, “A Primeira Morte de Joana”, que vale a pena assistir. A história sobre a elaboração do luto, independente da morte que for, ajuda resolver, dentro de nós, arestas que possam ficar de pessoas que nos deixaram.

Contudo, a delicadeza do filme se vê presa a uma emoção contida. O sentimento é de falta. Parece que falta emoção, falta alegria, falta. É um filme que gostaria de ter entrado mais na história, gostaria que tivesse me tocado mais, mas ele ficou numa superfície que não me levou às lágrimas, como temáticas dessa costumam me levar. Parece que Rafaela não se entregou ao drama, o que teria deixado o filme ainda mais marcante. É tudo na subtrama, no subtexto, na interpretação pessoal. Não desgosto, mas gostaria de mais ousadia.
O maior problema de “A Natureza das Coisas Invisíveis”, para mim, foi o desenho de som. O volume alto do longa fez o desenho de som, que não estava bem resolvido, se sobressair. Isso me gerou uma crise de ansiedade, que me fez levantar e ter que sair da sala de cinema por uns minutos. Para estrear comercialmente, seria importante que a equipe corrigisse os problemas gritantes, com o perdão do trocadilho, da parte sonora do filme.
O lançamento de “A Natureza das Coisas Invisíveis” está prevista para o dia 27 de novembro de 2025 dentro do projeto “Sessão Vitrine Petrobras” da Vitrine Filmes, que oferece longas brasileiros nos cinemas com o valor máximo de ingresso de R$ 20.
Foto da capa: Edison Vara/Ag.Pressphoto
