49ª Mostra de São Paulo anuncia O Filho de Mil Homens, Radu Jude e Richard Linklater
Chegando em sua 49ª edição, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo iniciou a divulgação de diretores e longas que farão parte da programação, que ocorre entre 16 e 30 de outubro de 2025.
Entre os primeiros títulos divulgados está o aguardado longa O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende (Bingo: o Rei da Manhã). Protagonizado por Rodrigo Santoro, o filme é uma adaptação do best-seller homônimo do português lançado em 2011 — e a primeira obra de Valter Hugo Mãe a ser adaptada para o cinema.
A história acompanha Crisóstomo (Santoro), um pescador solitário que sonha em ter um filho. A vida desse homem muda quando ele encontra Camilo (Miguel Martines), um menino órfão que decide acolher. Em uma tentativa de fugir da própria dor, Isaura (Rebeca Jamir) cruza o caminho dos dois, e, em seguida, Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, também se conecta a eles. Juntos, os quatro aprendem o significado de família e o propósito de compartilhar a vida.
O cartaz da 49ª edição tem arte criada pelo escritor português Valter Hugo Mãe, autor de títulos célebres da literatura contemporânea como “A Máquina de Fazer Espanhóis”, “O Filho de Mil Homens”, “A Desumanização” e “Homens Imprudentemente Poéticos”.

Diretores de Antes do Amanhecer e Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental trazem seus novos títulos
Foram anunciadas, também, duas obras do diretor estadunidense Richard Linklater, bem como dois títulos do romeno Radu Jude. Linklater é conhecido por transitar entre filmes mais intimistas, como a trilogia composta por Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr do Sol (2004, 28ª Mostra) e Antes da Meia-Noite (2013) e Boyhood – Da Infância à Juventude, e produções de grande apelo popular, como Escola de Rock (2003). Nessa edição do Festival, traz Nouvelle Vague, longa exibido nos festivais de Cannes e San Sebastián. No filme, o diretor homenageia Jean-Luc Godard e o movimento cinematográfico francês, recriando o processo de filmagem de Acossado (1960) no mesmo espírito inventivo que revolucionou o cinema.
Já em seu segundo filme do evento, Blue Moon, Linklater retorna ao cinema de personagens em crise existencial, construindo um retrato do compositor Lorenz Hart (Ethan Hawke), da dupla Rodgers e Hart, em uma noite de 1943 marcada pelo contraste entre a glória de Richard Rodgers (Andrew Scott) e a derrocada pessoal de seu antigo parceiro artístico. Pela interpretação, Scott venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante do Festival de Berlim.

De Radu Jude, considerado um dos realizadores mais instigantes do cinema europeu atual, do vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental (2021, 45ª Mostra), os filmes apresentados são Dracula e Kontinental ’25. O primeiro, que estreou no Festival de Locarno, o cineasta revisita o mito do Drácula em uma colagem radical, que combina caça a vampiros, zumbis, ficção científica e histórias kitsch geradas por inteligência artificial. Ao mesclar gêneros e linguagens, Jude transforma uma das figuras mais icônicas do imaginário popular em ponto de partida para refletir sobre política, cultura e a própria história do cinema.

O outro título do diretor na Mostra, Kontinental ’25, ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro do Festival de Berlim. O filme acompanha Orsolya, oficial de justiça em Cluj — principal cidade da Transilvânia —, que precisa desalojar um homem em situação de rua. Um acontecimento inesperado desencadeia um dilema moral que orienta o desenvolvimento da trama.
Mais filmes já anunciados na 49ª Mostra
A 49ª Mostra exibe filmes inéditos no Brasil, muitos deles premiados nos principais festivais cinematográficos internacionais. Entre as obras já confirmadas para esta edição estão Sound of Falling, de Mascha Schilinski, vencedor do prêmio do júri do Festival de Cannes e selecionado pela Alemanha para disputar a indicação ao Oscar de melhor filme internacional, Living the Land, de Meng Huo, que venceu o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim, e Urchin, ganhador do prêmio de melhor ator (para Frank Dillane) da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, além do prêmio da crítica da mesma seção — a produção marca a estreia na direção do ator Harris Dickinson, de Babygirl (2024) e Triângulo da Tristeza (2022). Integram a programação La Petite Dernière, de Hafsia Herzi, que levou o prêmio de melhor atriz (para Nadia Melliti) do Festival de Cannes, além da Palma Queer, e Mirrors No. 3, novo trabalho do cineasta alemão Christian Petzold.
